Sem queixas nem queixumes
Pedem-te que esperes e tu esperas.
Pedem-te um pouco de chão e tu dás.
Ficas então com tempo nas mãos e menos
espaço para poisar os pés.
Suportas o desconforto da imobilidade e a dormência
das pernas que não têm por onde andar. Não lamentas
− o que deste, deste, voluntariamente.
Suportas a preguiça das horas e as rugas na pele.
E esperas. Esperas hoje como esperaste ontem e esperarás
amanhã. Esperas sem saber por que esperas.
Sem queixas nem queixumes.
Depois percebes que a tua espera é vã.
Tomaram o teu chão como outra forma de
colonização e questionaram a tua generosidade.
Pisaram ambos.
Deixaram-te com menos chão e menos tempo.
E pernas incapazes de andar
poema: meu
título: Fernando Esteves Pinto