Primeiro és pó em estado sólido. Barro duro. Confias a medo nas mãos que te seguram, desejas que não te larguem, enquanto estremeces cada vez que os dedos perdem a força e quase cais. És barro, frágil como o pó solto. Depois, sentes a água ensopar-te os cabelos, escorrer pelas costas, cair-te aos pés. O medo engoliu o desejo, as mãos deixaram-te ao desamparo na rua e seguiram a sua vida, em silêncio. És barro mole. Desfazes-te lentamente debaixo da humidade do tempo, não és mais do que uma papa informe. Que te sobra? Criares duas mãos hesitantes e reconstruires-te, enquanto aguardas com paciência pelos raios do sol. Hás-de voltar a ser duro.
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| Lambert Moiroux, Villa Borghese, Rome, avril 2016 |