As longas viagens de autocarro são desbloqueadores perfeitos de reflexões inusitadas. O rodar na estrada, o embalo do motor, o tempo dilatado ao desespero, tudo favorece a mente a perder-se em pensamentos que normalmente não têm oportunidade para importunar.
Por estes dias, não me faltaram horas de viagem para a divagação. Por entre os caminhos tortuosos das ideias em reboliço que nasceram e morreram sem grandiosidade, houve uma certeza que se impôs devagarinho e agora não se afasta, nem por imposição.
Ninguém que me conhece me conhece.
Devem conhecer uns tremendos quarenta por cento faseados, sem noção do conjunto. Ainda não decidi se isto é bom ou não. Às vezes, é apenas solitário.