08/05/2015

Tanta virtualidade mata

Não é preciso viver num sítio recôndito para sentir a solidão. Nem é preciso viver numa ilha para sofrer o complexo de ilhéu. Basta que haja um ahahah escrito em vez de um riso solto; um aparelho que cospe sons, em vez de um corpo que fala com as mãos, os olhos, a boca; cafés de faz-de-conta em salas assépticas de azul e branco, em vez de cadeiras que se arrastam pelo chão e chávenas que batem nos pires. Basta que falte o abraço apertado, a conversa solta, o real em andamento. Tanta virtualidade mata. A mim anda-me a matar devagarinho.