Caro Futuro,
houve um dia, saberás qual, deixaste-os todos para trás, pegaste no pouco que te pertencia e foste. Quebraste as correntes subtis que te prendiam ao medo e a uma responsabilidade imputada à tua revelia; desataste os laços de um jugo disfarçado de amor. Recusaste-te a ser sal, por isso, te revoltaste com a fraqueza da mulher de Ló e não olhaste para o que ficou, não lamentaste a destruição de uma única pedra, não choraste as vidas que pereceram, não desejaste o que tinhas sido até ali.
Houve um dia, só tu saberás qual, que te encontraste contigo mesma, que te despiste da vergonha, da mágoa e do temor, que encaraste as cicatrizes, lhes tocaste sem empatia, as aceitaste como uma estética não-canónica e marcaste no calendário o início de uma nova era.
Godspeed.
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