Chega em silêncio, disfarçada,
não diz claramente ao que vem,
vagueia pelo quarto e olha como se
não procurasse nada.
Pega uma fotografia,
borrifa o ar de perfume,
canta músicas partidas em refrões
e lembra conversas,
com a postiça inocência de quem não sabe o que faz.
Vem sempre em silêncio, disfarçada,
nunca diz claramente ao que vem,
vagueia pelo quarto e apaga os limites
da existência, sobe aos cumes do mundo frágil
– enganadora Tétis –, para melhor
apontar as delícias do passado.
(sujeito a obras de reescrita)