era hábito encontrarem-se no mesmo café, a horas tardias de domingo, e conversar. nas noites frias ou respingadas da chuva, sentavam-se em frente à lareira do espaço, um café quente nas mãos frias, o consolo do fogo inopinadamente acesso no meio da cidade. nas noites quentes e abafadas, escolhiam uma mesa na esplanada, num canto discreto que lhes permitisse discorrer sobre o bulício da noite. foi assim por muitos domingos: juntaram-se semanas, seguiram-se meses, muitos, tantos que era sempre com surpresa que os contavam pelos dedos, como se fosse não fosse possível ter passado tanto tempo, quando para eles sabia sempre a primeira vez.
o café ainda lá está. as noites de domingo continuam a suceder-se, umas vezes com frio e chuva, outras vezes quentes e abafadas. eles deixaram de se encontrar, dizem pelas esquinas que se mudaram.