Diz o meu irmão mais novo que um engenheiro é um resolutor
de problemas. Fico-me a pensar se não errei a profissão e se não há em mim um
engenheiro em potência que não teve a oportunidade de ver a luz do dia.
Gosto de resolver problemas. É um facto. Não é que almeje a
perfeição – estou bem consciente das limitações da empresa – tão só gosto de
aperfeiçoar coisas. Se há um móvel com ar feiote, por que não dar-lhe um novo
ar? Por que não organizar as divisões até encontrar a combinação mais
funcional? Por que não arrumar os armários e ter espaço para tudo, de forma
ordenada?
Às vezes, esta ordenação compulsiva dos objectos estende-se
às pessoas, mas mais no sentido de saber realmente o que elas significam para
mim – por isso, situações indefinidas tendem a provocar sofrimento e a técnica
máscula número um de resolver quezílias pelo silêncio é capaz de me enfurecer
ao nível asiático de Hulk.
Deixando as sentimentalidades de lado, gosto de rever
textos. Faço-o por um verdadeiro gosto de pegar num texto com falhas e deixá-lo
limpo de excessos, claro, lógico e científico – claro que não estou a falar dos
textos literários – de conseguir entender o raciocínio lógico de quem escreveu
e dar-lhe a forma pretendida a priori.
Agora, vou viajar no tempo até aos primórdios do Real
Mosteiro de Santa Maria de Seiça. Portem-se bem.