Há objectivos que parecem ter como único fito não ter qualquer tipo de objectivo. Há também pessoas ditas doidas que gostam de andar assim, ao sabor da maré. E há pessoas ditas neuróticas que gostam de planear a vida ao microssegundo, sem tempo para o imprevisível. Para elas os objectivos serão metas a atingir. Há pessoas que quando começam a escrever não sabem onde vão parar. E há pessoas que às vezes gostariam de poder subverter toda a gramática atestada e inventar uma maneira nova de dizer amor. Há pessoas que deviam deixar de beber vinho branco ao almoço. E há pessoas que deviam deixar de dizer às outras o que elas podem ou não fazer. Rodopia-se em bancos altos, feitos de pau de pinho, em roscas que descrevem círculos quase perfeitos, quando não são elipses a rasar a parede, à procura da melhor perspectiva. E de repente deu-me vontade de ler Cecília Meireles.