14/05/2012

Não me fales da morte

Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte, que digas que fulano morreu, sicrano já não está entre nós, beltrano acabou de partir. Não te consinto que me informes da necrologia. Deixa-me viver com a ilusão de sermos todos eternos, deixa-me continuar a acreditar que o fulano e o sicrano e o beltrano ainda respiram e riem e choram e vivem.
Não quero que me fales dos mortos. Eles não estão mortos, eles estão vivos. Se pudesses olhar-me o coração saberias que assim é. Se pudesses sondar-me o pensamento, não duvidarias. Os meus mortos estão vivos, todos eles, nem um esquecido. Estão-me nas mãos, eu não os deixo ir. Estão-me no sangue, respiram comigo.
Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte. Não to consinto.