Não me fales da morte. Não quero
que me fales da morte, que digas que fulano morreu, sicrano já não está entre
nós, beltrano acabou de partir. Não te consinto que me informes da necrologia.
Deixa-me viver com a ilusão de sermos todos eternos, deixa-me continuar a
acreditar que o fulano e o sicrano e o beltrano ainda respiram e riem e choram
e vivem.
Não quero que me fales dos
mortos. Eles não estão mortos, eles estão vivos. Se pudesses
olhar-me o coração saberias que assim é. Se pudesses sondar-me o pensamento,
não duvidarias. Os meus mortos estão vivos, todos eles, nem um esquecido.
Estão-me nas mãos, eu não os deixo ir. Estão-me no sangue, respiram comigo.
Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte. Não to consinto.
Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte. Não to consinto.
