solidão*
(latim solitudo, -inis)
s. f.
1. Estado do que está só.
Não preciso de grandes sondagens, nem aturados inquéritos para saber que todos, sem excessão, já experimentaram o que é estar só ou sozinho.
Só ou sozinho. Não posso deixar de pensar nestas duas palavras que parecem o mesmo, são sinónimos, mas como as subtilezas da língua têm destas coisas, parecendo não o são. E é aqui que reside, para mim, o fundamento da verdadeira solidão.
só*
adj. 2 g.
1. Sozinho.
2. Que não tem família.
3. Único.
adv.
5. Somente, unicamente, apenas.
sozinho**
(só + -zinho)
adj.
1. Absolutamente só.
2. Sem par ou outro do mesmo género. = ÚNICO
3. Sem apoio ou companhia. = ABANDONADO
4. Que passa muito tempo sem companhia (ex.: é uma pessoa muito sozinha).
Sem pretenções de discursos de linguística, no meu idioleto, sozinho caracteriza um estado físico, uma situação facilmente observável. Só reporta-me a estados da alma, ao que nem sempre deixamos que os outros percebam em nós.
Eu posso estar sozinha, viver sozinha, ser apenas eu e não estar só, não experimentar uma solidão permanente ou com uma longa duração no tempo.
Da mesma forma, posso não estar sozinha, viver em família, ser eu e todo o meu sistema de apoio e ainda assim sentir-me só.
Durante muitos anos, senti-me sozinha, numa aparente solidão acompanhada pelo que queria, pelo que não tive, pelo que perdi. Uma aparente solidão na forma de um quarto vazio, povoada de fantasmas e fragmentos de memória em circuito ininterrupto, numa mescla de sons-imagens-cheiros-gestos-palavras e tudo o que consciente ou inconscientemente guardei nos meandros da mente.
Pela primeira vez, em muito, muito tempo, estou só na minha solidão. Só eu, num quarto vazio e escuro.
Pela primeira vez, em muito, muito tempo, estou em paz.
*in www.priberam.pt