04/04/2016

Podia ser tudo muito passional

Podia ser tudo muito passional. Faces afogueadas, roupa em desalinho. Palavras gritadas na fúria frustrada, talvez uns estalos, uns apertões. Podia haver acusações infundadas, talvez umas lágrimas, as explicações que de nada servem, Podia ser assim. Podia levar-se nos bolsos o eco das perguntas repetidas, desesperadamente repetidas, como estranho consolo nas noites pardas, a adoçar os travos amargos. Não costuma ser assim. As faces sempre pálidas, a roupa composta. Não há palavras, nem ditas, nem gritadas, muito menos repetidas. Há o silêncio asfixiante e a distância que cresce até ao esquecimento. Há uma esponja que apaga tudo, menos a desilusão. É assim que costuma ser. Tudo muito frio, tudo muito racional.

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Photo by Yo Vo
Yo Vo