| Marina Schneider |
deita-se todas as noites virado para o lado vazio da cama
acorda todas as manhãs do lado vazio da cama
entre um lado e outro há um frio de ausência
que manta alguma aquece
nem gato
nem saco de água quente
recordação fugidia
o outro lado em contínuo desacerto
num rodopio de inexistência permanente
o avesso da poesia como nunca a imaginou
(daqui)