Estou ensonada. Não por causa de uma recente privação do sono, que a noite até foi mais comprida. É como se o corpo estivesse finalmente a relaxar de meses e meses de tensão permanente. Como se a minha mente caminhasse enfim para um descanso prévio que lhe permita encarar com serenidade as mudanças decisivas que espreitam ali, ao virar daquela esquina que se vai aproximando a passos de gigante.
Qual o índice de resistência do material de que sou feita? Alto e nada desprezável.
Tenho sono. Um sono que transcende a minha resoluta vontade de me manter acordada e me embala, como se a cama fosse berço, como se a cama fosse barco.
Ao fim de muitos meses, o corpo tem sono. Esta noite dormirá apaziguado.