A certeza de que tudo poderia acabar no tempo de um ai dava-lhe a ainda mais firme certeza de que nada a poderia impedir. Sim, haveria de haver gente perdida pelos passeios a atrasar-lhe o passo. Sim, os saltos dos sapatos haveriam de ficar presos entre as enervantes pedras da calçada e o vento haveria de soprar com força, descompondo-lhe o cabelo e a saia. O calor haveria de lhe afoguear as faces e cobrir-lhe a pele com uma fina poeira de suor. Sim, as portas do elevador haveriam de fechar no segundo anterior à sua chegada, retardando-lhe a pressa. Todo o universo se uniria contra si e a sua vontade, a sua firme certeza e a sua mais firme decisão. Mas ela precisava de respostas, de confirmações, de inequívocas verdades, de pontes seguras e chão firme. Sim, ela haveria de contornar a gente, desprender os saltos, prender a saia, compor o cabelo, suportar o calor e esperar pelo elevador. Enfrentaria o universo, mas no fim, por fim, ela saberia.