17/04/2013

O mistério dos collants esburacados


Os collants apareceram rotos sem que ninguém soubesse dizer como ou quem. Duas pequenas filas de buracos mínimos que se expandiam na medida da desgraça, assim que a licra se esticava para se moldar à perna.
Não havia explicação lógica e a roseira dificilmente arcaria com as culpas, posto que os seus espinhos eram muito mais irregulares na capacidade de mortificar a meia.
Pela manhã, o sol morno da primavera fora já suficientemente forte para secar a roupa no estendal. O cachorro saltitava de contente por estar na rua, o gato espreguiçava-se ao sol, a roupa era apanhada com todo o cuidado e o mistério era resolvido.
Zazu, o cachorro saltitão com instintos de cavalo em festival de exibição de dotes, saltita até aos collants pretos, abocanha um pé e morde, com indisfarçável alegria.
Um berro, a meia transtornada e duas pequenas filas de buracos mínimos a certificarem mais um par arruinado.