Os collants apareceram rotos sem que ninguém soubesse dizer
como ou quem. Duas pequenas filas de buracos mínimos que se expandiam na medida
da desgraça, assim que a licra se esticava para se moldar à perna.
Não havia explicação lógica e a roseira dificilmente arcaria
com as culpas, posto que os seus espinhos eram muito mais irregulares na
capacidade de mortificar a meia.
Pela manhã, o sol morno da primavera fora já suficientemente
forte para secar a roupa no estendal. O cachorro saltitava de contente por
estar na rua, o gato espreguiçava-se ao sol, a roupa era apanhada com todo o cuidado
e o mistério era resolvido.
Zazu, o cachorro saltitão com instintos de cavalo em festival
de exibição de dotes, saltita até aos collants pretos, abocanha um pé e morde,
com indisfarçável alegria.
Um berro, a meia transtornada e duas pequenas filas de buracos
mínimos a certificarem mais um par arruinado.