06/07/2012

Interrogações cíclicas. Considerações finais.


Como é que as pessoas que amamos nos morrem? Que cruel necessidade têm elas de nos ver sofrer, de nos abandonarem? As pessoas que amamos não deveriam ter prazo de validade, deveriam ser eternas, maiores do que a morte. 

As pessoas que amamos deveriam estar sempre prontas a receber-nos de braços abertos e sorrisos rasgados, nas horas quentes dos dias felizes, quando há cheiro a limão no ar e o sol se reflete no espelho celeste. 

São elas as guardiãs do segredo da nossa essência. Guardam-no mais dentro a cada abraço, a cada beijo, a cada riso, a cada lágrima. Tecem com as mãos cordas apertadas, fundem na pele os extremos das pontes que nos ligam, escavam no vagar do tempo os caminhos que percorremos a cada regresso, a cada reencontro.

As pessoas que amamos não nos podem morrer. As pessoas que nos amam não nos podem levar aos pedaços com elas, para parte incerta. O amor e a morte nunca deveriam encontrar-se.