06/06/2012

Quando não há muito mais a fazer, respirar





Está uma magnifica tarde sol.
Aqui dentro, sinto-me sufocar.
A roupa na corda!
Levantei-me
Desci as escadas, atravessei o corredor, abri a porta e saí.
Na rua está um sol quente e uma aragem leve e fresca.

Sentei-me no muro do jardim.
Descalcei os chinelos.
Dali, conseguia ouvir a Ingrid a cantar repetidamente All I can do is keep breathing...
Numa inspiração do momento, puxei a saia para cima, muito mais acima do comprimento dela, pus os óculos no decote da camisa e fechei os olhos.
Respirar...
Fundo.
Mais fundo...
Profundamente...

Sentia o sol consumir o cansaço dos meus olhos, aquecer as minhas pernas, massajar os meus pés, deixar-me a cara a ferver.
Fiquei ali tempos esquecidos.
A brisa brincava com as farripas do meu cabelo e eu deixei.

O sol não substitui aquilo de que sentimos falta mas aquece, e quando estamos quentes tudo é mais simples.

Respirar...
O sol...
Respirar mais...
A brisa...


Havendo falta do resto, temos sempre o sol.









[escrito em abril de 2008, postado aqui pela primeira vez em maio de 2009. curiosa rotação do sentir]