Divide-se o ser em partes iguais. Duas metades agridoces,
em formas aparentemente semelhantes. Uma que,
insurgindo-se contra o tempo, persistirá na saudade,
no lamento, revivendo em contínuo os microssegundos
de uma existência que coube, toda ela, na palma
da mão. Pelejando o esquecimento, perdurará na lembrança,
no
afago, tecendo cada memória nos músculos do
coração. Coexiste com esta a outra parte, a metade
derrotada pelo tempo e pelo cansaço da espera vã. A metade
que enxugou as lágrimas com as costas das mãos e largou o
juntar os pedaços, a caminhar com passos lentos,
para parte incerta. Certa de que é necessário
que volte a viver.
