porque a vida não se escreve como os livros,
porque há a burocracia que afoga o sonho
e somos apenas homem e mulher
e peças soltas sem encaixe.
é preciso uma casa para viver.
aqui, ali, quem vai, quem fica?
viver de quê?
a máquina do amor a ficar perra,
tu já não és tão perfeita
e eu já não sou tão interessante.
mais papéis, mais decisões
e a tela a ficar manchada
e o calor a esfriar...
o que é o futuro?
deixa-me viver-te inteira nas poucas horas que nos restam.
aqui está bom, agora está bom.
és tão perfeita e eu sou-te irresistível,
abraça-me por dentro,
fica comigo para sempre, enquanto este dia durar,
não me deixes, não deixes que vá,
abraça-me e conta-me os teus planos.eu sou doido, tu és doida, sê doida comigo
porque aqui somos doidos
e ninguém saberá que o fomos.
[o tempo continua a passar,
ainda parece que foi hoje]