Mergulho a vista num mar amarelo de ondas sulcadas e navegadas por casas. A espaços bem longos, submarinos de quatro rodas estremecem a quietude que descansa sobre todas as coisas. Os gatos espreguiçam-se ao sol sereno, os pássaros são pequenos peixes alados que habitam a vastidão da terra seca. É bonito este meu mar. Calmo e seguro como o chão, a perder de vista.
29/02/2016
27/02/2016
Alguns terão sempre Paris
Eu tenho um Porto triste, uma Coimbra desolada e uma Lisboa abandonada.
Nem tudo pode ser como no cinema.
26/02/2016
25/02/2016
23/02/2016
Ab initio
Talvez esteja tudo mal. Desde o início, desde a ignorante e inocente origem. Desde a primeira pedra que se deixou cair no abismo do medo. A primeira viagem tacteada pelo desconhecido. Provavelmente está tudo mal. Ab initio. Não espanta por isso o previsível e visível fim.

22/02/2016
Correspondência íntima XXI
Que tudo corra pelo melhor e que se cumpra a profecia do [...], na estação de Montemor: "O melhor ainda está para vir".
Construíste um oráculo mínimo feito daquela espécie de amor que se guarda pelo passado, vaticinaste o futuro branco e hás-de consegui-lo, nem que seja à força da teimosia do convencimento. O melhor virá -- creio mais pelo medo do que lhe possas fazer que da vontade de vir. Mas virá e esta é uma certeza inquestionável.
19/02/2016
18/02/2016
∞ (indefinitely)
∞ (indefinitely) is an melancholy short film about letting go the one person you love the most. How you can lose yourself in heartache and let yourself go in the illusions that your love is still around.
∞ (indefinitely) has also been used for a videoclip of the Belgian band I will, I swear for their song 'Long Days'
Ainda é Inverno
Do lado de fora da janela, o sol brilha uma luz branca que espelha no gelo das pequenas ervas que vão cobrindo os campos. As árvores despidas são o desengano do tempo -- é Inverno. Mede-se o grau do frio pelas voltas dos cachecóis nos pescoços de quem passa, são seres encolhidos dentro dos ombros, como pequenos bichos-de-conta. Do lado de dentro da janela, o candeeiro de pé alto espalha uma luz amarelada de aconchego. O calor da lareira é o desengano do tempo -- é Inverno. Mede-se o frio pelas voltas da manta pelas pernas, o corpo encolhido dentro do casaco, como um pequeno pássaro no ninho. Dentro e fora, apesar das aparências, sabe-se que o vento do Norte há-de varrer tudo e gelar os ossos por muitos dias que hão-de vir. Afinal, ainda é Inverno.
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| L_Semivan_Wind1_2012 |
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