20/01/2016

Não se escreve

banishedagain:

Photo by Paulo H
Paulo H


Não se escreve a morte numa agenda e é por isso que há datas que ficam em branco. Não se escreve a ambivalência dos sentimentos, a mistura estranha da tristeza, do amargo e do alívio. Não se escreve a luta e a força de um sorriso inquebrável. Não se escreve que existe amor nos cemitérios. Não se escreve que morremos um bocado em cada funeral para podermos viver a vida com mais intensidade. Não se escreve quem constrói fossos sem pontes levadiças à volta do coração. Não se escreve a ordem das coisas e a falta que o amor faz. Não se escreve o esquecimento e o olhar dos que nunca viveram. Talvez não se escreva nada disto mas sei os abraços que apertam e os sorrisos que voltam depois do adeus.


Pedido à talentosa Imprópria para Consumo, dona de um blogue tão bem escrito que me deixa sem palavras.

19/01/2016

I'm better than that

É comum procurar o criador na criação, assumir que a obra produzida tem necessariamente relação com isto ou com aquilo. É um erro - inúmeras vezes. Assumo o erro, é demasiado tentador ver nesta versão da Clarice Falcão um grito de liberdade, até pela forma como pronuncia «I'm not gon compromise my Christianity / I'm better than that», para lhe passar ao lado. Chego sempre ao fim da música a pensar «toma e embrulha, ó Duvivier». 


Survivor - Clarice Falcão

18/01/2016

As vozes dos que nos dão as más notícias hão-de ressoar-nos nos ouvidos, na memória dos dias.

Visita chata, credo!!

I am lost, in our rainbow

This shirt - The Irrepressibles


A clip from the original film 'The Forgotten Circus' by the Director Shelly Love, featuring performers from Circus Space in London.To watch film in full go to www.shellylove.co.uk

17/01/2016

Querer e não poder (nem conseguir)

eclats-de-vers:



© Michael Kenna
© Michael Kenna 

16/01/2016

Da intimidade

15/01/2016

Como dar novos mundos ao Mundo

É preciso construir e destruir e construir e destruir mais e construir mais um pouco. É assim que se fazem novos mundos.

14/01/2016

A minha vida dava uma banda sonora #24

Há momentos em que decidimos em consciência ir pelo caminho errado. A manhã estará lá, em todo o seu esplendor radioso, para nos lembrar da idiotice que acabámos de fazer. Carregaremos a consequência dessa decisão muitos anos e sofreremos o castigo quando menos esperarmos. Ainda assim...

Klepht - Por uma Noite


Faz tempo que a culpa se foi
Ficámos de pensar só depois
Do erro.

A importância do retorno blogueiro

Tenho reflectido muito nos últimos tempos sobre a importância de ter um blogue e uma rede de leitores/comentadores. Várias vezes tem surgido em conversas orais e escritas a questão do volume de postagens, da quantidade de comentários feitos e dos comentários respondidos, havendo sempre uma ideia, que me surge como um ameaça velada, «quem não dá não tem».

Como comentadora compulsiva de blogues, que já fui, parece-me ser mais importante ter uma resposta honesta a algumas perguntas que considero essenciais e às quais respondi antes de iniciar a minha reabilitação virtual.



1. Por que tenho eu um blogue?

Se o blogue é uma forma de evasão emocional, uma base de dados diversos que está sempre à mão, uma espécie de experiência laboratorial para outras coisas, ter ou não retorno, alimentar ou não uma rede de leitores, pode não ser o mais importante.

Se o blogue é uma forma de comunicação, então a importância aumenta.


2. Que critérios uso para seguir um blogue?

No meu caso, sigo apenas os blogues que de alguma forma me acrescentam alguma coisa. Blogues até de pessoas que nem imaginam que eu existo e não me vão seguir, mas como o que me interessa é o que publicam, convivo bem com o facto.

Por isso, não sinto necessidade de comentar constantemente, para que o dono do blogue perceba que eu existo e que gosto do que leio - se eu sigo... para mim é óbvio, porém, pode não ser assim para todos.


3. Qual o objectivo de um comentário?

Para mim, e parto sempre da minha experiência, não encaro o comentário como os romanos encaravam as ofertas aos deuses - dou para que me dês. Claro que é bom ter retorno, claro que uma postagem muito comentada nos motiva, mas também temos de ter consciência que nem tudo o que publicamos é de fácil comentário.

Eu tenho. Acredito que nem sempre é fácil deixar uma palavra e não me choca nem chateia que as pessoas saiam como entraram - em silêncio.

Não aprecio o comentário «só porque sim», prefiro até que nem os deixem. Estes comentários parecem-me sempre aqueles «pois é» e «yah» que dizemos quando não sabemos como reagir às conversas. O silêncio também pode ser uma boa resposta.


4. Responder sempre ou só de vez em quando?

Na linha dos comentários vem o meu entendimento sobre as respostas aos mesmos. Se nem sempre é fácil comentar, responder também não o é. Há comentários que se esgotam em si, não há nada a acrescentar, e se a pessoa é leitora frequente a «relação» aguenta bem uns comentários sem resposta.

Parece-me mais correcto que se responda a quem chega pela primeira vez, para que a pessoa se sinta bem-vinda e saiba que foi lida.

Ler respostas que também não acrescentam nada é assim como os «pois» e os «yah» que são apenas ruído.


Para finalizar

Se calhar posso ser considerada anti-social da blogosfera, no entanto, a minha postura é o resultado de uma mudança de atitude face aos blogues e à minha maneira de reagir. 

Pago o preço de ver os seguidores a irem embora alegremente e de ter inúmeras postagens às moscas. É um preço consciente que em nada diminui o valor que dou a cada blogue que sigo e leio, mesmo que seja em silêncio.

13/01/2016

À falta de melhor

água