
25/12/2015
23/12/2015
Lista de desejos natalícios (com atraso considerável)
A pensar nos atrasados (e talvez isto não seja politicamente muito correcto) que me querem encher de prendas este Natal e ainda não descobriram o que me dar, eu dou uma ajudinha.
um ralador
um coiso de cortar coisas em fatias
um descaroçador
uma faca de legumes
um quebra-nozes
um copo de medir
uma balança
um tacho que leve mais de 5 kg (não é uma panela, é um tacho)
um cheque-oferta numa gráfica com direito a impressão de 500 000 rótulos
um cheque-oferta numa fábrica de vidro com direito a comprar 500 000 frascos
açúcar, muito açúcar (pacotes de quilo, sacos de 10 ou 25 kg, desde que seja Sidul ou RAR)
sacos de nozes
abóboras menina
sacos de colheres
resmas de sacos de papel
quilómetros de ráfia
berliques e berloques
Enfim, não quero ser muito exigente, nem pedir demasiado.
São só umas sugestões singelas.
Lista de desejos natalícios
um descascadorum ralador
um coiso de cortar coisas em fatias
um descaroçador
uma faca de legumes
um quebra-nozes
um copo de medir
uma balança
um tacho que leve mais de 5 kg (não é uma panela, é um tacho)
um cheque-oferta numa gráfica com direito a impressão de 500 000 rótulos
um cheque-oferta numa fábrica de vidro com direito a comprar 500 000 frascos
açúcar, muito açúcar (pacotes de quilo, sacos de 10 ou 25 kg, desde que seja Sidul ou RAR)
sacos de nozes
abóboras menina
sacos de colheres
resmas de sacos de papel
quilómetros de ráfia
berliques e berloques

Enfim, não quero ser muito exigente, nem pedir demasiado.
São só umas sugestões singelas.
21/12/2015
Atar as pontas
Temos a vida transformada num novelo. Entre a parca habilidade em enrolar o fio e o descuido alheio pela meada de que somos feitos, o mais certo é chegarmos a uma altura em que as pontas são mais que muitas e as oportunidades de as atar, muito escassas. Devemos, por isso, aceitar com toda a alegria os momentos em que os enganos do passado possam ser esclarecidos - pelo menos o vislumbre de que seja isto mesmo que venha a acontecer.
E as outras? É esperar com paciência. Pode ser que atinjamos um dia o ponto perfeito de não termos mais passado desarrumado para nos perturbar o resto dos dias.
18/12/2015
17/12/2015
16/12/2015
15/12/2015
A trapezista
Começou a subir aos telhados.
Começou a resolver neles muito tempo.
(Primeiro, os dedos na janela mais acima.
Depois, era o cabelo que subia.
Um pulso a içar a alma para outra cidade.)
Daqui vê-se tudo.
Os gatos deitam-se e lambem-me os pés.
Os pés sobem molhados pela chuva.
Os homens congeminam negócios estendidos nas mulheres.
As crianças gritam dentro das casas quando os sonhos
lhes arrancam pedaços das costas.
Os homens caminham com quadros pendurados nos joelhos
As pessoas escrevem artigos nas revistas
sobre o que seria o mundo se alguém do outro lado as ouvisse
E é então que eu saio
e sobre os ombros das árvores disponho a economia
cravando-lhe os dentes ou
roçando apenas o meu sexo
no trapézio
Inclino-me sobre a sua demência particular
neste dia emparedado entre sucessos e crisântemos
e as crises
e ouço as ruas onde lá em baixo uma pessoa
ajeita um pouco melhor os ossos
Aquela mulher fabricou uma cozinha resistente a tudo
atravessou os séculos assoberbada de electrodomésticos
inexpugnáveis – ao fim-de-semana envolvia-os em celofane e espanava
um pouco melhor os filhos.
Mais à frente o parque onde as estratégias se apresentam -
o presidente à frente, seguido pelo hidrogénio ou o hélio
– conforme a posição do sol no buço da democracia –
e o écran reflectindo o écran e a
maresia.
Aqui no alto rodo os pés e alongo mais os braços.
Nos primeiros meses estendia-me com o corpo para baixo e deixava
o sangue inundar a cabeça. Via manchas vermelhas da
menstruação por entre os amigos que prometia esquecer.
Eles traziam-me os seus corpos nus e eu aquecia as suas unhas
cravadas pelo vidro.
Dizem: se os videntes permanecem firmes perante pequenos tiranos
podem chegar a suportar a presença do incognoscível.
Todo o conhecimento é o resultado de uma deslocação.
Se é verdade que todos os caminhos são iguais?
Sim. Pois não te conduzem a lugar nenhum.
Se quiseres fazer como o feiticeiro índio da tribo iaqui,
perguntarás: e esse caminho tem coração?
Perdi a minha agenda de fenómenos electromagnéticos.
Não sei por isso de que lado esperar
este súbito irromper
da melancolia.
rui costa
metphoria
guimarães2012
fundação cidade de guimarães
outubro 2012
Etiquetas:
Aquiles devia ter escolhido a vida longa,
Da poesia,
Rui Costa
14/12/2015
Nem este blogue o é
A ideia da exposição da intimidade é enganadora, porque as pessoas presumem sempre que sabem coisas que não sabem, fazem inferências baseadas em nada. Julgo que a intimidade diz respeito aos temas da poesia, todos os temas grandes da poesia são de certa forma íntimos – o amor e a morte são assuntos bastante íntimos. Mas um poema não é um diário.
Pedro Mexia, em entrevista no Jornal I
(lido no blogue da Rita Nashe; realce meu)
Pedro Mexia, em entrevista no Jornal I
(lido no blogue da Rita Nashe; realce meu)
12/12/2015
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