28/11/2015

Quando por fim vier o fim

vintage-cf:

vintage blog
autor desconhecido


Quando chegar o fim e eu já não reconhecer as minhas mãos
quando o meu coração se cansar de sentir e os meus olhos de imaginar
quando as folhas de todos os livros ficarem por fim em branco
e as palavras desaparecerem
então pegarei em objectos antigos e inventarei
novas formas de me perder.

27/11/2015

Não sei que se passa comigo

Mas nos últimos dias tem-me dado para ouvir música francesa. Não uma qualquer, daquela mesmo de cortar os pulsos. Na verdade, já fiz as pazes com este meu gosto particular por músicas com letras miseráveis e deixei de parte as análises de divã, querendo ver nisto mais do que é: pancada.

Portanto, caríssimos que me lêem, não há muito mais a dizer. Siga Jacques Brel, para arrancar lágrimas às pedras da calçada (que eu devo estar a ovular).


Ne me quitte pas - Jacques Brel

26/11/2015

24/11/2015

Hoje


 
Pela primeira vez, despedimo-nos sem dizer até amanhã. Adiámos o momento até não podermos mais. Necessariamente efeitos secundários da constipação, já tenho saudades de todos e de cada um.
O que é que faço agora? Quem é que me vai fazer rir? A quem é que eu vou pintar as unhas? E as queixas, Deus meu, as queixas! A quem as faço agora? Quem vai trazer bolachas e tostas para comer com os meus doces? A quem prometo eu limpar o carro a troco de sucessivas boleias? E os almoços e as natas e as fotocópias?
Hoje não houve até amanhã. Os efeitos secundários são já uma tremenda saudade.

23/11/2015

Sem resguardos

lavandula:

kate moss by paolo roversi, 1996
Kate Moss by Paolo Roversi, 1996

Não sei o que é dar-me aos bocados. Nem o que são jogos de intenções, malabarismos de emoções, toca-e-foge. Não sei o que é o largar milimétrico da corda, para a seguir a puxar com toda a força, nem o rodopio insinuante das palavras de pouca verdade. Sei o que é um peito aberto, nu e exposto. Sem resguardos, sem filtros, sem avatares de coisa alguma. Até ao esvaziamento. até ficar com coisa nenhuma nas mãos. Até ao cansaço total.

21/11/2015

São tudo fantasias que o cinema projectou no meu olhar


Márcia + Dead Combo - "Visões Ficções"

20/11/2015

Que fazer?

Quando o desnorte é a única estrela que nos guia?

19/11/2015

Há-de engolir-nos de vez

 
O silêncio impõe-se. Aprenda-se ou não, estará lá -- um nevoeiro surdo a alimentar-se das pequenas vozes que resistem no tempo. Porque hoje não se diz, amanhã também não, no dia a seguir muito menos. O mundo desfila à frente dos olhos um cinema de horrores. A boca muda. Cobre-se a carne de manchas roxas, feias manchas de dor. A boca muda. E os outros falam e riem e cantam e embriagam-se do que têm mais à mão. Muda -- a boca, as palavras, o vago gesto da reacção. O silêncio impôs-se e um dia há-de engolir-nos de vez.
 

Todos os instantes contam

17/11/2015

Morrer de tédio

Os computadores têm os ecrãs abertos como janelas que dão para paredes de cimento. Remexem-se as cortinas, sacode-se o pó, à procura de pequenos póneis escondidos no meio da lama do tédio. A voz embala -- ouve-se sem se ouvir. Medimos o cansaço de forma muito eficiente. Escrevemos planos de processos com a eficácia de pequenas máquinas oleadas rumo ao sucesso. Tudo se passa ao longe. Longe. Longe. Tudo está longe. Os afectos, a vontade, a vida, e o fim dos dias. A seriedade é um manto pesado que esconde as nódoas negras da indiferença. Números contabilizados em nada. Baixam-se os índices do que se mostra - somos perfeitos em todas as coisas. Aumenta-se proporcionalmente o desespero. A voz fala ao longe. Embala. Tudo longe. E nós medidos, nós oleados, nós eficientes, nós eficazes, nós bem certificados na arte de mal gerir, nós aos pedaços em maços de folhas destinadas ao nosso destino. Longe.
 
o-amor-e-a-vida-a-sonhar:

© Angelika Ejtel
© Angelika Ejtel

16/11/2015

Nem rosas




Não segures nada nas mãos
nem rosas
o desalento é uma mancha na carne rasgada.