02/05/2015

He Gave Me the Brightest Star

pixography:Adrian Borda ~ “He Gave Me the Brightest Star”
Adrian Borda ~ “He Gave Me the Brightest Star”


a forma branca dos sonhos puros

01/05/2015

Lista para quando atingir o sucesso # 1

Nestes últimos meses em que tenho tentado pôr de pé um projecto que muito acarinho, percebi duas coisas:
  1. os que me estão mais próximo são os que menos querem saber do que faço;
  2. os que me estão mais longe são os que mais querem saber do que faço.

Pode ser que seja assim com toda a gente. Pode ser que seja só porque é comigo.

27/04/2015

O problema não és tu, sou eu!

Preciso de férias deste espaço. Nada de férias grandes, talvez só umas mini-férias de Carnaval ou uma Páscoa alargada. Ultimamente só consigo pensar em frascos e medições de açúcar, nem uma crise existencial ou um devaneio sentimental para me inspirar, só uma aridez de ideias feita de frutose.

Hei-de voltar -- diz-me a experiência que a um momento de pausa escrito e partilhado se segue uma momento de fúria criativa, uma imperiosa vontade de escrever que projecta maçãs de cima da mesa a velocidade de metralhadora. A ver vamos como corre desta vez.

Mas não pensem que deixo de vos ler. Afinal, tenho de me entreter enquanto a abóbora coze.

22/04/2015

Conclusão do dia

Tomar um comprimido para a descongestão nasal equivale a passar o dia a arrastar o resto do corpo por todo o lado.

21/04/2015

No man is an island, entire of itself...

Sempre desconfiei das pessoas que afirmam confiadamente conseguir separar as ligações emocionais que se vão criando no mundo virtual das ligações emocionais do mundo real. As que garantem que, quando desligam o computador, o telemóvel esperto ou a tabelete, desligam também todas as leituras, as partilhas, as conversas.

Tenho para mim que o que lhes acontece na verdade é não terem quaisquer ligações emocionais com as pessoas com quem convivem no virtual. Somos seres sociais, uns mais do que outros, é certo, precisamos de nos relacionar, uns mais do que outros, é ainda mais certo, mas não acredito que sejamos ilhas, isolados de tudo e todos.

Hoje soube que uma pessoa que costumo ler e comentar, e por quem tenho uma grande estima, está a passar dias difíceis. Não é que possa fazer muito, pouco mais me resta do que usar a virtualidade para lhe enviar uma mensagem de ânimo e o desejo sincero que esses dias difíceis passem rápido e tragam, dentro do possível, boas notícias.

20/04/2015

Acordares difíceis. Adormeceres demasiado fáceis.

Assim ando eu.

Alarm by Mesai

19/04/2015

Vontades que despertam

Vivemos momentos. Arrumamos esses momentos. Vivemos outros momentos. Arrumamos esses outros momentos. E por aí fora. Mas há alturas em que os momentos vividos e arrumados despertam como um urso que se despe da hibernação e deixam no estômago uma fome antiga.

Hoje foi um desses dias. Ver a equipa do puto levar 11 secos lembrou-me os tempos em que a minha equipa de futsal espalhava vitórias pelos torneios em que participava. 



Nota para mim: Deixa-te de ideias, rapariga, já estás velha para estas coisas.

16/04/2015

Nada do que temos é verdadeiramente nosso

Gostamos de ter coisas, de poder dizer que somos autónomos e independentes o suficiente para possuir o que acreditamos ser nosso por direito. A este gosto alia-se a imposição social dos medidores de sucesso e felicidade pela quantidade de dados possuídos. 

Enchemos o peito e a boca para dizer: o meu carro, a minha casa, o meu tempo-livre, o meu namorado/marido/amante/amigo colorido(a), os meus filhos, o meu percurso profissional. Tudo meu. Nada meu, na verdade. Compramos um carro e uma casa e andamos a vida toda a pagar ao Estado o direito de os ter; o tempo é cada vez menos livre; o par dançante da relação é-o até lhe dar uma travadinha, ou a nós, e deixar de ser; os filhos não vêem o dia e a hora de ser porem a andar de casa dos pais e o percurso profissional anda cada vez mais na corda bamba. Quanto mais queremos ter, menos temos. Nem um simples telemóvel nos pertence.

Precisamos de um telemóvel, escolhemos uma operadora, um modelo, um tarifário. Pagamo-lo. Usamo-lo segundo as regras que nos impuseram e aceitámos, sem que este telemóvel seja realmente nosso. No dia em que precisamos de o usar com outra operadora, obrigam-nos a pagar um valor estupidamente alto para nos permitirem fazer o uso que bem entendemos de um produto que é nosso.

À conta disto, tenho três telemóveis em casa, que não servem para nada, enquanto eu estou celularmente incomunicável por me ter morrido o aparelho que usava.

15/04/2015

Entretanto... Pois, não sei.

Não tenho encontrado nos seres ditos humanos que me rodeiam muitos motivos para confiar neles ou para gostar de me ver rodeada por eles durante períodos de tempo consideráveis. Assim mesmo, sem vírgulas, de enfiada, como se fosse um desabafo. E é. 

Acredito piamente -- ou ingenuamente -- que basta um pouco de compreensão e um jogo de cintura elegante para que a convivência seja sã, útil, frutífera. Continuo a resistir a compreender a intolerância generalizada e o aproveitamento descarado da generosidade alheia. Mas acredito menos. Já não me espantam ou revoltam tanto como outrora os desabafos dos meus amigos sobre os relacionamentos difíceis, desapaixonados e violentos que vivem -- porque a violência das palavras, dos silêncios e dos gestos indiferentes pode ser mais agressiva e dolorosa do que a violência de um estalo --; tenho cada vez menos que lhes dizer, menos explicações, mais encolheres de ombros, mais banalidades circunstanciais. Pois. Pois, não sei. E a vida segue como até então, deslizando no lodo onde se espalham pequenos ringues, onde se digladiam seres, ditos humanos, a destruirei-se lentamente até não sobrar mais nada.

Talvez tudo isto justifique as horas, os dias, que passo em silêncio. Talvez não justifique nada. Talvez seja eu que esteja lentamente a dar motivos para o esquecimento. Hoje acordei com as mãos baças, os pés quase apagados -- amanhã não sei como será. Entretanto, creio, desaparecerei.