18/03/2015

Que tens andado a fazer, Carla?

Muitas coisas, meus caros.
Há uns meses, talvez muito influenciada pelos blogues de culinária que sigo, para não deixar estragar a muita fruta que amadurecia nos pomares cá de casa, experimentei fazer uns doces. Nada de muito complicado, receitas seguidas de viés e a coisa deu-se. Tem sido um fartar de distribuir doces por toda a gente, para muitos lados, até para o estrangeiro.

Num dia destes, entre dentadas lambuzadas em bolachas torradas bem cobertas de doce de abóbora com nozes, o meu pai e o meu irmão mais novo lembraram-se: por que não fazes doce para vender?

Desta pergunta meio grunhida aos frascos alinhados no armário passaram umas semanas intensas de procura de voluntários para prova doceira e de experiências na cozinha.

Depois disso, foi decidir-me pelo nome, construir a imagem, escolher os frascos, tentar uns rótulos, criar o blogue, as páginas do Facebook e do Google+, fazer contas e mais contas e consumir muitas horas em frente ao computador.

É com muito orgulho maternal que vos apresento o meu mais recente projecto: A Colher Gulosa.



Ah, aceito encomendas e tal. Isto é, se vos apetecer, claro. ((:

17/03/2015

13/03/2015

Ó senhores da BBC, não

suspendam o Top Gear! Depois onde é que eu vou ver homens a fazer figuras parvinhas e carros muita giros??

A polémica pode ser seguida aqui. Isto, claro, se fizerem a mínima ideia do que estou a falar...

11/03/2015

Give me shelter

Porque olhar para as folhas de Excel está-me a cansar as pálpebras. Melhor pensar em coisas bonitas.


Ben Horard - Only love

09/03/2015

São dias

attimi-rubati:Passion by Lyonah
Passion by Lyonah


de uma preguiça que se espalha no forro da mente
ainda que o corpo se mova e os afazeres cresçam
como pequenos fungos no verde das horas
é na horizontalidade revolta do leito do linho
que descansam os corpos feitos tempo

05/03/2015

E eu p’ra aqui neste sarilho

O rádio do carro cá de casa tem um temperamento particular. Não sei se por velhice, se por cansaço, mas os momentos de silêncio com que nos brinda tem um quê de amuo de mulher que se sente ignorada. Apanha-nos à falsa fé e é aos gritos que nos faz saber a que velocidade correm os jogadores de futebol no campo ou nos põe a par de conversas que, sou capaz de jurar, vêm de Marte ou de outro planeta onde há extraterrestres. Raramente conseguimos mantê-lo na mesma estação, duas viagens seguidas, sem contar que nos dias de calor lhe dão desmaios que duram e duram e duram.

Ainda assim, é capaz de surpreender - em espaços de tempo que rondam os cem anos - e, numa das últimas viagens que fiz em direcção à foz do Mondego, decidiu que a Antena 2 era boa companhia durante os vinte e cinco minutos que durou o trajecto.

Foi graças a esta mudança de humor do rádio do carro cá de casa que descobri esta música, parte do projecto de FF, SAFFRA. Tão bonita, não é? Para vocês, com os cumprimentos do rádio destrambelhado do carro cá de casa.




A safra deste ano - SAFFRA

O campo está no ponto para se poder semear
O coração está pronto para bater mais devagar
E eu p’ra aqui neste sarilho,
Nem semeio o milho, nem vou namorar

A voz da minha mãe chama para a ceifa uma vez mais
Mas já a tua voz me quer distante lá dos trigais
E eu que sou bom rapazinho
Esqueci-me o caminho da voz dos meus pais

Só sei que a safra deste ano vai ter mais beijos do que trigo
E sei que ou muito me engano ou tu tens o plano de casar comigo

Meu pai há de ficar zangado se eu não aparecer
Mas ver-me apaixonado há de fazê-lo reviver
Os tempos em que as raparigas
Cantavam cantigas para o endoidecer

Ficar a olhar pirilampos causa um certo fastio
O coração é como os campos, também requer pousio
E quando eu já estiver cansado
Volto para o arado, que eu não sou vadio

Só sei que a safra deste ano vai ter mais beijos do que trigo
E sei que ou muito me engano ou tu tens o plano de casar comigo


02/03/2015

who cares?


as coisas não me interessam o suficiente para me preocupar em pensar sobre elas. será indício de alguma patologia, um sintoma, um traço de personalidade. não me interessa. a política, a cultura, a vida alheia, os meus dramas, de nada quero saber. agride-me o excesso das palavras que se dizem porque o silêncio é um bicho de pêlo áspero que arrepia as mãos e puxa malhas nos collants perfeitos dos sempre-tontos. tontos no debitar de palavras sobre tudo, sobre nada, sobre um par de botas e de flip flops. chiacchierare - tagarelice que me evoca o cacarejo, pequenas galinhas bicando assuntos, engolindo-os inteiros, batendo asas assustadiças. que interessa? no fim, vamos todos morrer.

01/03/2015

A Starry Sunday

25/02/2015

A pedra nem sempre é fria

Gian Lorenzo Bernini - Plutão e Proserpina (detalhe)





Publicada originalmente no dia 20/03/2011 será uma das razões do aviso de indecência que recebi por parte do Blogger. Pornografia só se for aos olhos dos incultos.

24/02/2015

Tell me a story

Se tivesse visto este filme há dois ou três anos, estou certa que teria sido devastador para mim. A empatia com as personagens e o cerne da acção ter-me-iam deixado prostrada e avivado um sofrimento que pensava, então, não ter como diminuir.
O «se» não aconteceu e Cake foi visto com a distância de quem se revê mas sabe que a banalidade «o tempo cura tudo» é tão irritantemente verdadeira que o repetiu para si vez após vez, como se o dissesse àquelas pessoas na tela. 
Cake foi visto por um coração cauterizado e isso, parecendo que não, fez toda a diferença.


23/02/2015

As tangerinas não chegam para travar uma guerra

A delicadeza crua de um filme cuja banda sonora me fará companhia por muitos dias.