18/06/2014

Vida dura pela manhã

Tica e sua cria -- uma gatinha tão fofa que, ou muito me engano, vai ser uma bolinha de pêlo como o pai -- enfrentam mais um dia de duro labor.



16/06/2014

Nem os que fugiram escapam

Todo o grande homem tem, hoje em dia, discípulos, e é sempre Judas quem lhe escreve a biografia.


Na altura em que li um certo texto evocativo de um poeta morto, não tinha ainda lido esta fala de Gilbert, personagem que dialoga com Ernest no ensaio «O Crítico como Artista», de Oscar Wilde (Intenções, quatro ensaios sobre estética, Cotovia, 1993), no entanto, lembro-me perfeitamente de ter pensado que o tal crítico não passava de um artista armado em Judas. E desprezei-o, com cada célula do meu ser, num profundo desprezo.

13/06/2014

Creio que a abstinência já vai em quatro semanas

O sítio do costume onde toda a gente mostra a cara, na melhor das hipóteses, pelo menos na mais decente, devia chamar-se Vanity Fair. E ter como cor distintiva o dourado, o símbolo todo ele em elegantérrimos cristais Svarovski e muita realeza -- oh! sim, muita realeza --, sem bruxas más, só o lado rosa dos contos de fadas.

12/06/2014

Cansei-me de pensar, estou apenas em estado vegetativo.

11/06/2014

Finalmente

o Formulário de Contacto lá de baixo já funciona.
Como ninguém se queixou, suponho que não tenha sido ainda usado.

10/06/2014

Sobre o assunto do dia

Que triste é quando um homem aceita vender a sua dignidade e se torna opróbrio entre o povo.

09/06/2014

Ou dançar

autor desconhecido



Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)



07/06/2014

Um mês depois


03/06/2014

Uma questão de pernas

Adormeceu debaixo de mim como que embalada pelo meu silêncio.

Espalham-se livros à minha volta e fios que ligam tudo a todo o lado, só não me ligam a mim ao lado sul do meu destino.

Por enquanto.

Adormeceu, por isso, debaixo de mim como quem não quer ver a desarrumação que vou semeando à volta do computador.

Conto pelos dedos as tarefas que me propus para hoje e sinto que deixei cair alguma.

Tem sido recorrente esta certeza de que me estou a esquecer de alguma coisa, que ainda falta fazer mais não sei o quê.

De vez em quando o vento traz-me conversas do lado sul da minha existência.

Não é de estranhar que tenha adormecido debaixo de mim, assim dobrada como quem suporta o peso da  minha dispersão.

02/06/2014

A natureza da blogosfera

As pessoas que nos falam dos outros são normalmente desinteressantes. Quando nos falam de si mesmas são quase sempre interessantes, e, se fôssemos capazes de calá-las quando se tornam aborrecidas, com a mesma facilidade com que podemos fechar um livro de que nos cansámos, seriam absolutamente perfeitas.

WILDE, Oscar (1993). Intenções -- quatro ensaios sobre estética. Lisboa: Edições Cotovia. pág. 85.