26/02/2014

Que venha a primavera agora

Este blogue não é só introspecção e pensamentos um nadinha deprimentes, de vez em quando, também tem coisas animadas e tagarelas. Hoje acordei feliz, com aquela satisfação interior que alcançamos de quando em vez e não tive vontade de reflectir sobre o lado mais da decepção humana. Hoje acordei com vontade de cantarolar e de dançar em cima da cama.
O mais feliz da vida
Sou eu
Com tudo exposto nas mãos
Sempre fui muito má em guardar as coisas boas só para mim. :)


O mais feliz da vida - A Banda Mais Bonita da Cidade

25/02/2014

Proibição do dia

Não olharás para trás nem lamentarás o que perdeste.

24/02/2014

Nem punctum, nem studium

A conclusão é fácil de perceber: não sirvo para objecto das minhas próprias fotografias. Tenho um álbum de fotografias por tirar, arrumado na minha cabeça. Falta-me a habilidade e a paciência para decidir por onde começar e por onde ir. Não gosto das fotografias que capto, não lhes reconheço qualquer valor. Nem Barthes me salva -- a compreensão do pressuposto teórico e a percepção do valor artístico é tudo a que me atenho. Justifico claramente a acusação feita ao crítico: não sou mais do que uma mera fotógrafa frustrada. Na minha cabeça ficará arrumado um álbum de fotografias, para as quais não sirvo como objecto. 

22/02/2014

Primeira resolução dos 34

Naturalmente...

Gianni Berengo Gardin - Paris - 1954

21/02/2014

... e uma salva de palmas!

Sim, senhores, sou eu, lá pelos 3 anos
de idade. O xaile e o boneco ainda
existem e a foto foi tirada  pela minha mãe,
daí a falta dos pés.
Pronto, está feito - ponto picado. 
Mais um em cima do corpinho de sereia habitante das águas prósperas do oceano; mais um cabelo aloirado ali em cima quase vizinho dos outros dois (será que o alto da minha cabeça é um condomínio de luxo? antes isso que um bairro social...) e de resto tudo na mesma. E 80 foi um bom ano, o melhor de todos - excluindo que iniciou uma década de moda feiíssima e de penteados terríveis, compensou com música do melhor. E mais coisas... olha, o blogue tem um email de contacto, podem-no usar para me pedir a morada e enviar prendas ou pedir o NIB e depositarem o valor da prenda e dos portes de envio - isso é que era uma grande ideia! Assim de repente não me ocorre mais nada, embora tenha sido muito bom acordar de vez a ouvir um «buongiono, principessa!», em voz possante, ainda que a quilómetros de distância - quem tem os melhores amigos do mundo, quem tem? Agradeço ao Senhor os resistentes leitores que me deu (quem me manda ser tão má a gerir audiências?) e distribuo beijinhos e abraços por todos, como se fossem cravos, numa espécie de preparação para as comemorações do vinte-cinco do quatro, ou como se fossem conffetis, já que vem aí o Carnaval - se bem pensarmos, andam certas cabeças pensantes a preparar tudo para que não haja grande diferença entre um e outro. Agora é que é: está o título, o texto, as etiquetas, só falta... publicar!



19/02/2014

Neste post há gajas quase nuas

Não é novidade para ninguém, homem ou principalmente mulher, que há dias em que nos sentimos feios. Se não feios, pelo menos diminuídos. Ou é mais um cabelo branco a juntar-se à revolução dos cabelos por um mundo mais sénior, ou são os papos nos olhos, ou uma borbulha no meio da testa precisamente no dia em que se vai almoçar com alguém importante, ou as calças não apertam tão bem, ou parece que nenhuma peça de roupa nos assenta em condições, o cabelo está colado à cabeça, a unha falhou, as meias romperam-se, o telefone é do tempo dos avós, o sapato descolou-se ou perdeu uma capa, o carro está na reserva e não há tempo de passar pelas bombas, um sem número de situações que podem contribuir para que o dia comece connosco a sentirmo-nos miseráveis.

Entretanto, os idiotas estampados nos cartazes da publicidade olham-nos do alto do seu mundo fresco e fofo, com sorrisos perfeitos, cabelos alinhados e sem vestígio de brancos - a menos que seja o Clooney e aí até os brancos dele são de invejar -, roupas giras que lhes assentam qual luva, com sapatos a brilhar e um humor de raiar a imbecialidade.

É todo um mundo de perfeição que, embora lá no fundinho de nós saibamos que não existe, tendemos a invejar, pelo menos, a desejar na proporção em que nos sentimos uma valente... treta.

A nosso favor temos a capacidade de relativizar as coisas, num certo ponto, e de aceitar a nossa condição humana, remetendo a idealização da publicidade para o quarto escuro da nossa cabeça.  O assustador no meio disto tudo é saber que há cada vez mais gente impressionada com as habilidades da manipulação da imagem e a deixar-se convencer por todo um sem-fim de patranhas ilusórias.

São conhecidas as campanhas da Dove (aqui e aqui) contra os insensatos padrões estéticos que a moda exige, ou da agência de modelos brasileira Star Models que criou a You are not a sketch. Say no to anorexia.

Não sei de que campanha será este trio, mas posso dizer-vos que esta que vos escreve está ali retratadinha e não é no mais à direita. É uma chatice muito grande, mas a minha médica diz que eu tenho ossos largos e sou linda por dentro e por fora (suspiro) e como ela é que é a doutora, ela é que sabe.

Vem isto tudo no seguimento (estive quase a escrever a propósito de, mas resisti) de uma ligação partilhada no Facebook sobre quatro mulheres que foram fotografadas e polidas pela lixa fina do Photoshop e a sua reacção ao perceberem que estavam como as deusas das revistas de moda.

Neste artigo, foi feita uma referência a uma música de uma cantora que desconhecia, Boogie, sobre a sua resistência a ser considerada um produto manipulável ao gosto de «quem manda». O interessante é que o vídeo acompanha todas as transformações digitais que a sua imagem sofre, enquanto canta versos como Je ne suis pas leur produit.


17/02/2014

Conselhos que eu própria não sigo, derivado de várias experiências traumáticas

Se te sentires triste e abatido, lê os comentários às notícias dos jornais e revistas em linha e ri como se tivesses subitamente ensandecido.




P. S.: Deveria haver uma taxa moderadora para estas pessoas que escrevem estupidez à linha.

15/02/2014

Cartas para o meu futuro - 3

Caro Futuro,


houve um dia, saberás qual, deixaste-os todos para trás, pegaste no pouco que te pertencia e foste. Quebraste as correntes subtis que te prendiam ao medo e a uma responsabilidade imputada à tua revelia; desataste os laços de um jugo disfarçado de amor. Recusaste-te a ser sal, por isso, te revoltaste com a fraqueza da mulher de Ló e não olhaste para o que ficou, não lamentaste a destruição de uma única pedra, não choraste as vidas que pereceram, não desejaste o que tinhas sido até ali.

Houve um dia, só tu saberás qual, que te encontraste contigo mesma, que te despiste da vergonha, da mágoa e do temor, que encaraste as cicatrizes, lhes tocaste sem empatia, as aceitaste como uma estética não-canónica e marcaste no calendário o início de uma nova era.

13/02/2014

A visitação da saudade

Chega em silêncio, disfarçada,
não diz claramente ao que vem,
vagueia pelo quarto e olha como se
não procurasse nada.
Pega uma fotografia,
borrifa o ar de perfume,
canta músicas partidas em refrões
e lembra conversas,
com a postiça inocência de quem não sabe o que faz.

Vem sempre em silêncio, disfarçada,
nunca diz claramente ao que vem,
vagueia pelo quarto e apaga os limites
da existência, sobe aos cumes do mundo frágil
 enganadora Tétis , para melhor
apontar as delícias do passado.

(sujeito a obras de reescrita)

12/02/2014

A propósito de

Se há locução prepositiva que me mexe com os nervos, me encaracola o cabelo, rebola os olhos e dá comichão no esófago é «a propósito de». Já não suporto ver um título de um texto ou início de texto explicativo que comece com «a propósito de». Sei que dá jeito, está sempre à mão, cai sempre bem, não há como enganar, mas custa muito experimentar um «sobre...», «referindo...», «pegando em...», «continuando...», custa?

11/02/2014

A minha vida dava uma banda sonora #20

De alguma forma que escapa à minha compreensão, é sempre a distância que se impõe. Não a emocional, apenas a física - como se fosse pouco, como se não causasse constrangimento suficiente, como se não fosse custoso de suportar.


When I need you - Leo Sayer

When I need you
Just close my eyes and I'm with you
And all that I so want to give you
It's only a heartbeat away