24/01/2014

Novos mundos



Naveguemos
nos mares remexidos
caminhemos
pelas terras desvirginadas
procuremos
estrelas nos céus sem mistérios e
desenhemos
novas cartografias sem rumo certo
novos herbários inventados
astrolábios imprecisos que indiquem o
desnorte
linhas curvas à volta das nossas
mãos.


Este texto seguirá para o Cais, num dia oportuno.

23/01/2014

Universo feminino

A incompreensão da utilidade de peças decorativas em estanho, casquinha e prata.

O desânimo ao perceber que uma das portas do armário tem de ser tirada, para se porem as prateleiras de vidro.

Assim vai o meu universo.

Correspondência íntima XVIII

Há-de ir tudo ao sítio - esse lugar mágico que não sei bem onde fica, mas é para lá que tudo tem de ir -, mais não seja à força ou por inércia, que é a força ao contrário.

22/01/2014

Mamas silicónicas

Estou farta de ver fotografias de mulheres com enormes mamas silicónicas. São quase sempre excessivas, plásticas e nada agradáveis à vista. Ó senhores fotógrafos artísticos, e fotografar mulheres normais, daquelas que têm mamas bonitas, não?

20/01/2014

A inconsciência sobre a passagem do tempo é uma bênção

A inconsciência sobre a passagem do tempo é uma bênção, uma espécie de trégua da memória, uma ignorância sobre o pretérito, que favorece um presente mais luminoso, mais leve. Bastou, porém, que na banalidade de uma conversa se perguntasse que dia era hoje... Foi com a força de uma torrente que todos os pormenores deste dia se apresentaram nítidos, terrivelmente concretos, absurdamente presentes, para me lembrar que as tréguas não duram para sempre e a memória é um adversário cruel.


No meio da cidade onde fervilhava vida, os portões de ferro abriam-se para um largo caminho de calçada, ladeado à direita por bancos, árvores e casas abandonadas – habitadas por memórias de gente –, à esquerda por frias capelas, detestáveis capelas que arrefeciam os ossos de todos os que lá entravam. Em frente a uma, difusas manchas negras agrupavam-se, suportando nas pernas o peso dos ombros, alguns aceitavam a oferta dos bancos de cimento e abandonavam-se à espera. 

19/01/2014

Natureza humana

É possível deter o momento, fazê-lo entrar na nossa concha, falar-lhe ao ouvido e contorcê-lo, golpeá-lo no sítio que mais dói só para depois o deixar ir outra vez e ficar só silêncio e ausência e mais nadinha.

Só podia ser de quem é

18/01/2014

As estradas portuguesas são o espelho da nação, estão cheias de depressões.

16/01/2014

How do you spell love?





Da mesma forma que Piglet pergunta a Pooh como se soletra o amor, poderia perguntar como se define o amor. A resposta de Pooh seria, assim o creio, exactamente igual. 

Aceitar que o amor é mais do domínio do sentir do que do pensar poupar-nos-ia muitos caracteres de má literatura e muitas ondas sonoras de músicas falhadas, tudo muito redundante, tudo muito superficial, tudo muito lugar-comum. 

Se te amo, é porque te amo, porque te sinto por dentro, porque é assim mesmo, ainda que o saiba explicar com eloquência

15/01/2014

Correspondência íntima XVII

O lado bom da minha compulsão pela arrumação é que nem a cabeça escapa, logo, ou se arruma ou sai fora! Ora, como eu gosto demasiado de chapéus, a ideia de viver sem cabeça não é coisa que me interesse muito.

14/01/2014

Como diz Dona Milú


E o mistério está em não perceber por que razão a cyclopedia.net encaminhou uma alminha para o meu blogue, a partir da pesquisa autopenetração.
Se alguém entender, explique-me que eu agradeço a explicação, com toda a sinceridade deste mundo.

Tenho um mundo só para ti

Vi os Prana pela primeira vez na Queima 10, em Coimbra, trouxe comigo o cd e um conjunto de boas músicas no ouvido. Já os espalhei pelo blogue, porque, é um facto, gosto desta gente e gostava de os ver mais divulgados por aí.


Melansólico - Prana