14/01/2014

Como diz Dona Milú


E o mistério está em não perceber por que razão a cyclopedia.net encaminhou uma alminha para o meu blogue, a partir da pesquisa autopenetração.
Se alguém entender, explique-me que eu agradeço a explicação, com toda a sinceridade deste mundo.

Tenho um mundo só para ti

Vi os Prana pela primeira vez na Queima 10, em Coimbra, trouxe comigo o cd e um conjunto de boas músicas no ouvido. Já os espalhei pelo blogue, porque, é um facto, gosto desta gente e gostava de os ver mais divulgados por aí.


Melansólico - Prana

13/01/2014

Correspondência íntima XVI

De repente surgiram não sei quantos fogos à minha volta que tive de ir apagar - fui nomeada bombeira de serviço à revelia, uma espécie de senhora dos aflitos versão não-católica. Não sei bem como, talvez por excesso de exposição à desgraça, incendiei-me eu e deixei arder - é insuportável o esforço de me atirar acima um copo de água.

12/01/2014

Os domingos de chuva

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Os domingos de chuva sabem à nostalgia de um bem nunca alcançado. 


11/01/2014

Procura-se

um fim-de-semana assim.


10/01/2014

No facebook como na vida



Não interessa aumentar o número de «amigos» no facebook. Depois da euforia inicial, só se interage com os da casa, os de sempre, e os outros esbatem-se pelos feeds, presentes mas sem que se percebam.

09/01/2014

Entre os teus lábios é que a loucura acode

Ben Lamberty 



Entre os teus lábios

Eugénio de Andrade

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

08/01/2014

Cortem-lhes a cabeça!!

Michael Kutsche




– Ninguém pode seguir o caminho asfaltado que leva à Felicidade Completa sem se sujeitar a este programa bem óbvio. Primeiro: consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas.

em «O homem sem cabeça», José Gomes Ferreira, As Aventuras de João Sem Medo.

07/01/2014

Ainda sobre a chuva

Here Comes The Rain Again - na voz de Macy Gray

Here comes the rain again
Raining in my head like a tragedy
Tearing me apart like a new emotion
Oooooh
I want to breathe in the open wind
I want to kiss like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you

06/01/2014

Um barco abandonado

Os dias de chuva entristecem-me. A ausência do sol escurece-me na proporção do crepúsculo, a humidade do tempo desconsola-me. É difícil usar do engenho em dias assim, porque o constante cair da água, em cortinas de gotas ou fortes bátegas, desfaz os cenários frouxos do meu teatro mínimo. É um desconsolo à vista as manchas esborratadas do que pintei no papel de cenário, a realidade a galope conquistando as minhas vagas esperanças.

O mar da Figueira rugiu o dia todo, atirou-se onda após onda contra os limites de pedra que alguém plantou ao longo da marginal. O mar da Figueira parecia querer deixar de ser mar, para ser gente, qual Ariel em fúria, caminhar na areia, dormir nos hotéis, descansar nas esplanadas. Os seus dedos violentos arrancaram pedaços de muro, na agonia de não poderem deixar de ser o que são - dedos de mar, braços de água, corpo de espuma, cabelos de algas, boca insaciável de peixe e de homens.

No meu monólogo triste, sou mar em fúria, sereia desfeita em espuma, um barco abandonado.





Barco Abandonado - Dulce Pontes e Ennio Morricone


Barco abandonado
Na voz do tempo, na margem do rio
Nesta lonjura
Na voz dos temporais
Anoitece um canto sombrio
Nas pedras deste cais

Há um adeus no meu olhar
Este meu barco prisioneiro
Há-de ser viageiro
No meio do mar

Barco abandonado
Na noite escura, na ronda do vento
Neste silêncio
Na voz dos temporais
Um lamento que a dor esqueceu
Nas sombras deste cais

Há um adeus dito a sorrir
Do céu, meu amor,
Ao céu que é meu e teu,
Um dia hei-de subir
Se te encontrar

05/01/2014

A inefável mágoa da contagem crescente

Nem um poema, nem um verso, nem um canto,
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante,
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande.

Gisela João - Meu amigo está longe


Voltámos aqui. Mais um ano, mais trezentos e sessenta e cinco dias de absurda estupefacção. Este ano, não consigo escrever nada, voltei ao estádio primeiro de quem se usa do que os outros escreveram, para poder dizer com sinceridade aquilo que sente. Não sei já como juntar as palavras soltas do dicionário num texto coeso, no mínimo, coerente, se tudo correr pelo melhor, juntando tudo, não querendo dizer nada; por isso, apropriei-me do que não era meu - como antes, antes de tudo, antes do nada. Talvez gostes da Gisela, não sei se estará ao nível de um fadista Meireles, mas é do norte e tem aquele ar selvagem de quem ainda não foi domado pelas regras da etiqueta - isto há-de valer de alguma coisa.

Há porém uma série de confissões que preciso de te fazer, que me pesam no lado do silêncio que guardo sobre ti, que preciso de arrumar, para me arrumar - ou desarrumar de vez, não sei, as certezas habitam areias movediças :

1) Tenho-me obrigado a esquecer, a bem da minha paz de espírito. Depois sinto-me culpada e lembro-me: lembro tudo, de chofre, de tirar o fôlego, a doer mesmo. Só quando sinto que o meu coração ainda bate com força, fico em paz - ainda não te esqueci.

2) Até agora não consegui falar de ti sem chorar, por isso, não falo de ti. Às vezes menciono-te vagamente como «o que aconteceu», que é uma forma cobarde de me proteger de mais explicações e de salvar algumas lágrimas. Creio firmemente que nunca o conseguirei fazer, que haverá sempre muita emoção no mencionar do teu nome e na evocação de quem foste.

3) Estou a ficar doida. Só assim explico que continue a escrever-te espécies de cartas num espaço público, onde qualquer pessoa pode ler, contrariando tudo o que sou: a minha reserva permanente sobre a minha vida e a dos outros e as minhas convicções, porque contra tudo aquilo em que acredito espero, de alguma forma, que me consigas ler e saibas, por fim, tudo o que não fui a tempo de dizer.

4) Já consegui arrumar os teus livros. 

5) Devias ter pensado mais em nós, quando decidiste morrer para sempre.