O silêncio impõe-se. Aprenda-se ou não, estará lá -- um nevoeiro surdo a alimentar-se das pequenas vozes que resistem no tempo. Porque hoje não se diz, amanhã também não, no dia a seguir muito menos. O mundo desfila à frente dos olhos um cinema de horrores. A boca muda. Cobre-se a carne de manchas roxas, feias manchas de dor. A boca muda. E os outros falam e riem e cantam e embriagam-se do que têm mais à mão. Muda -- a boca, as palavras, o vago gesto da reacção. O silêncio impôs-se e um dia há-de engolir-nos de vez.
Ah, mas é preciso atacá-lo. Com palavras bonitas como as tuas.
ResponderEliminarTalvez o silêncio se venha impor para nos dar tempo de encontrar nele novas palavras e tornar a não calar a boca.
ResponderEliminarMas sim esses horrores.
Tão bonito, Carla.
o medo, é um poderoso silenciador...
ResponderEliminar