Quanto mede um palmo? Quanto mede a distância daqui para aí?
Quanto mede a felicidade? E o amor? Talvez nada disto se meça, talvez só algumas
coisas se meçam. Será ao peso? Em medidas pré-estabelecidas ou a granel? Como se
quantificam as coisas que realmente importam? E por que há-de ser tão
necessário saber valores exactos? O pai e a mãe pesaram o mesmo na balança dos
afectos? Porquê a necessidade nauseante de saber de qual se gosta mais?
Qual o volume do coração? E do medo? Vale mais uma dúvida ou
uma esperança? De que são feitas as certezas – e por que não podem ser feitas
de nuvens e algodão? Como se pesa a saudade? E as cerejas? A balança velha da
avó perdeu alguns pesos e a cor vermelha, tem agora muitas lascas e muitos
quilos de cerejas pesados. Algumas maçãs. E muitas dores na alma.
Como se aproxima o norte do sul? E as duas margens do rio? Porque
é que do perto é tão fácil fazer longe e o contrário custa mais? Como se cose
um botão? E quais os melhores fios, para tecer uma teia durante vinte anos? E
por que não montou Ulisses o cavalo, para chegar mais depressa a Ítaca? Porque é
que o tempo passa depressa quando estamos bem e o amanhã nunca mais chega,
quando estamos com pressa?
Por que razão as noites são tão tristes e os dias tão faltos
de presença? Por que razão, as perguntas não acabam e as respostas nunca são
suficientes?
E o Domingo, porque tem de ser um dia triste e apagado?
ResponderEliminarNão sei... Só sei que muitas vezes dou por mim a suspirar de alívio por ser segunda-feira outra vez - quer esteja a trabalhar ou não.
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