20/01/2017

Confirma-se

Eu arranjei um Escalfeta-Humano!

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19/01/2017

Voltar

Voltar ao lugar onde vivo e não o sentir como a minha casa. Faltam-me os armários que começo a decorar e as portas que já não me engano em abrir. Voltar, querendo ficar. Deixar para trás um futuro que se vai escrevendo com paciência, em todos os recantos. O sol a espelhar-se no rio, a janela aberta, o calor cá dentro. Voltar, contando os dias que faltam para regressar. Inventar razões só porque é preciso suspeitar da distância. Planear, desejar, falar muito do que se quer. Suspirar sincronizadamente e analisar todas as variáveis, pela enésima vez. Apertar mãos, distribuir beijos, decorar nomes. Pertencer. Voltar ao lugar onde ainda não vivo e senti-lo já como a minha casa.



18/01/2017

O amor agita-se como um pássaro preso na rede do coração.

Laura Makabresku

17/01/2017

Contra o expectável

Precipitadamente, julguei que estaríamos acima daquele sentimento tão estranho chamado sofrimento. As despedidas eram sempre um até já, ainda que estivessem à distância de muitos dias. Cada viagem, a antecipação do regresso a casa. Embrulhávamos a vontade no manto racional de ter de ser assim mesmo, aconchegada na alegria esperançosa de faltar pouco, muito pouco. Até ao dia em que as zonas neutras deixaram de existir e todos os espaços conhecidos deixaram de ser meus e teus e passaram a ser nossos. 



Karin Boye

11/01/2017

A luz dos teus olhos

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Mario de Biasi


Pela luz dos olhos teus
Vinicius de Moraes

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

10/01/2017

A suprema saudade

Adormecer e acordar com saudades de Ti. Porque há coisas que não se explicam, apenas se vivem -- na doçura de um furacão.

Quem já pisou no Santo dos Santos
Em outro lugar não sabe viver

O que a Sua Glória fez comigo - Fernanda Brum

06/01/2017

Tu és a única diferença

Sento-me e espero. É uma acção conhecida, incapaz de me surpreender. Ponho no pulso o relógio que cheira a saudade e espero. Olho o arrastar dos ponteiros, o tiquetaque ensurdecedor nos meus ouvidos, e acalmo o coração, escondendo a mão no teu bolso. O tempo líquido ensopa-me os joelhos e eu abrigo-me na memória do teu corpo. Estou sentada, esperando. É uma acção conhecida -- tu és a única diferença.




(porque tudo conspira para me consolar, o Spotify sugere-me esta música...)





I'll Stay (Carla's song) - Matt Stinton

They say time is changing everything 
Even coldest winter yields its grip to spring 
But you and I we're not afraid of time
We're content to watch our days unwind 

I'll stay when the mountains are covered with snow 
And the rages have weathered 
And when all around us is falling apart 
I will love you 

They say passion's only for the young 
One day you have it but the next it's gone 
And you and I our hearts have been entwined 
This we know our love will grow and grow 

I'll stay when the mountains are covered with snow 
And the rages have weathered 
And when all around us is falling apart 
I will love you 

Darling I must have been sleeping 
All of those years before your arms held me 
Love of my youth and my old age 
I am with you until my final breath 

I'll stay when the mountains are covered with snow 
And the rages have weathered 
And when all around us is falling apart 
I will love you 
I will love you

04/01/2017

Esqueci-me. Este ano, pela primeira vez, esqueci-me do início da tua inexistência. Não que me esqueça de ti, que não o faço, tão-só não me lembrei. É isso, não me lembrei do dia em que marcaste a ferro líquido uma marca de mágoa que o tempo tem demorado em sarar. Mas ela vai sarando, devagarinho e um dia atrás do outro. O pó de estrela que tens soprado dessa nuvem que habitas no céu longínquo começa a fazer efeito: a vida já faz mais sentido. 

03/01/2017

E ela ocupou-se dele

Como quem sabe de antemão que esse é o curso natural dos afectos, reorganizou-se para o acolher. Deixou que pregasse pregos nas paredes, cedeu-lhe metade do guarda-fatos, empurrou livros para um lado e arrumou algumas molduras, dividiu gavetas e aceitou o que lhe pertencia. O amor está nas pequenas cedências, no espaço que se concede, na generosidade com que se aceita a vida que o outro traz consigo sem se sentir diminuído, antes mais completo. Ele ocupou a casa e ocupou-se dela. 


Um amor morto, Carla Pinto Coelho



noonesnemesis:
“ “ Relaxing
leen 1952
” ”

01/01/2017

Adeus, 2016. Bem-vindo, 2017


Querido 2016, pedi-te que me deixasses saudades e quase falhaste em cumprir o meu pedido. Começaste como têm começado todos os meus anos anteriores, numa série que conta já a dezena, mal. Começaste incrivelmente mal, com mais uma desilusão misturada na perda de um bem que se julgou ter e afinal era uma ilusão feita nuvem. Depois, orientaste-te lá pelo meio e traçaste linhas no meu futuro, por terras nunca antes caminhadas. Deste-me a conhecer o medo de falhar, a ânsia de conseguir, a paciência da espera e o medo miudinho na palma das mãos. Mas deste-me também o maior bem que tenho na vida, o achado mais bonito que alguma vez fiz, que enche os meus dias e as minhas noites de um sentimento que não tenho como explicar. Acabaste tremendamente bem, superaste até tudo o que tinha imaginado numa situação assim. Deixei-te ir no suspiro de um beijo. Bem-vindo, 2017, entra e traz-me tudo o que me está prometido.