21/07/2017

Atípicos

Não contámos ao FB a alteração do nosso estado -- o que nos pareceu o mais coerente, já que o mesmo desconhecia o que éramos, não havia por que ficar a saber o que nos tínhamos tornado. Esquecemo-nos que carregávamos máquinas de fotografar, pelo que há poucas provas dos sítios que visitámos, das refeições, dos mimos, de nós. Considerámos que a nossa lua de mel era nossa,  que não era preciso alardear o destino, muito menos perder tempo a actualizar estados que só a nós interessavam. Nem sequer usamos alianças iguais porque tu, na tua imensa generosidade, deixaste que escolhesse a mais brilhante. Não deixamos provas das nossa convivência, é quase como se não existíssemos. Mas nós existimos. Nos longos minutos gastos em conversas, nos regressos a casa e nas despedidas, nos pequenos segredos que se vão paulatinamente desvendando ao mundo, no que não é preciso dizer, num pé que se estica e encontra outro pé do lado de lá, nas gargalhadas e nos pequenos amuos, nesta vida que vamos levando. Pacientemente. Tão estranha, aos olhos dos outros.

Max Dupain,Stiff nor'easter 1940s

5 comentários:

  1. O amor não precisa de testemunhas :)

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    1. Eu fui testemunha :)
      E vou arriscar dizer... precisa sim! Pois a semente de um Amor pode ser inspiração para outros acreditarem nele.

      💙💗

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  2. Porquê fazer alarde de uma coisa tão íntima ?...
    Para mim, já não me chega "Para os próximos 50 anos" ! :)) ... Serão esse e mais uns quantos ! :)

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  3. Ali... é um amor para a vida toda!

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