03/01/2017

E ela ocupou-se dele

Como quem sabe de antemão que esse é o curso natural dos afectos, reorganizou-se para o acolher. Deixou que pregasse pregos nas paredes, cedeu-lhe metade do guarda-fatos, empurrou livros para um lado e arrumou algumas molduras, dividiu gavetas e aceitou o que lhe pertencia. O amor está nas pequenas cedências, no espaço que se concede, na generosidade com que se aceita a vida que o outro traz consigo sem se sentir diminuído, antes mais completo. Ele ocupou a casa e ocupou-se dela. 


Um amor morto, Carla Pinto Coelho



noonesnemesis:
“ “ Relaxing
leen 1952
” ”

6 comentários:

  1. Cedermos significa darmos algo de nós. Não há amor sem isso :) e isso é bom!

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    1. Isso mesmo, CC.
      Quem não quer dar, não cede - o que é capaz de ser uma chatice, se houver planos para o futuro metidos ao barulho. :)

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  2. Verdade sim, o Amor está nas pequenas cedências.
    E construir um Amor, um ninho, uma vida... é a "tarefa" que mais nos realiza enquanto seres humanos.

    Beijinhos Carla
    (envio-tos em dobro para os poderes repartir)
    (^^)

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    1. Realiza, Afrodite, e dá uma trabalheira desgraçada. Mas depois é tão bom que vale tudo!

      Beijinhos também para ti
      (serão devidamente repartidos, em momento oportuno ;)

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  3. Excelente este excerto do teu livro. Como já dito nos comentários anteriores, transmite uma ideia muito importante (acrescento eu) de forma simples e bonita :)

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    1. Obrigada, caro FATifer. :)
      Mais bonito ainda é pô-la em prática.

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