21/12/2016

O que farei quando este blogue afunda?

«escrevo para dizer o que não pode ser dito»
Ana Hatherly


Foi assim que tudo começou e porque tudo começou. Havia tanto para dizer e nenhuma margem para o fazer. Por razões que não se explicam com lógica, de alguma forma, a impossibilidade do falar ia-se repetindo num contínuo extenuante. Até agora. Tudo se pode dizer, sem medo, sem pensar. No momento em que apetecer, como se quiser. Dizer sempre, calar nunca mais. 
Por isso, este blogue está em risco, porque eu só sei escrever o que calo. Não havendo mais nada a calar, que escrever? Pode ser que descubra. Pode ser que não. Talvez 2017 traga ideias novas. Ou a eliminação definitiva.

14/12/2016

A melhor prenda de Natal de todos os tempos

Melhor que A Minha Agenda ou os chocolates Fantasias de Natal, melhor do que o tradicional par de meias ou o pijama polar, é... (rufo) o meu livro, pois claro. Fará as delícias de qualquer presenteado e permitirá o aumento de consultas no psicólogo (temos de ser uns para os outros). É só procurá-lo na Livros de Ontem ou na FNAC, embrulhar bem embrulhadinho e oferecer. Garanto que não se vão arrepender («olhe que não!, olhe que não!»). Estou sempre a pensar no vosso bem*.



Críticas de quem disse bem (as outras não interessam, como é óbvio)
Álvaro Cordeiro - Texto setuagésimo primeiro
Carina Pereira - Um Amor Morto, de Carla Pinto Coelho (opinião)
FATifer - O último que acabei de ler…




*no fundo, só me interessam os direitos de autor, pois que quero ir de férias à custa do livro...

13/12/2016

Haiku de Bashô

36
os visitantes dentro do templo
ignoram
que as cerejas floresceram



(Interpretação da lançadora de haiku: os astros dizem que está na altura de largar os esoterismos metafísicos e sair para a rua e rebolar-se na relva)



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07/12/2016

Loving you, never be alone

Este blogue só tem dois caminhos possíveis: seguir pela poesia lamechas ou pela música fofinha.
Arruinado por arruinado, venha a música (a poesia segue noutro dia).


Chet Faker - Archangel


Holding you, never be alone
Kissing you, you tell me I belong
Missing you, you tell me I'll be strong
Loving you tell me I belong

Holding you never be alone, never be alone
Missing you tell me I'll be strong, you tell I'll be strong
Kissing you never be alone, you never be alone
Missing you tell I'll be strong, you tell I'll be strong

Holding you, never be alone
Kissing you tell me I'll be strong
Missing you never be alone
Loving you never be alone

Missing you, you tell I'm strong
Kissing you, you tell I belong
Tell I belong
Holding you I'll never be alone
Kissing you you tell me I'll be strong you tell me I'm strong

Holding you, you never be alone
Kissing you, you tell I'll be strong
Loving you, you tell me I belong
Missing you, you tell me I'll be strong

Holding you never be alone, never be alone

06/12/2016

Love came like madness

Here Now (Madness) LIVE -- of Dirt and Grace -- Hillsong UNITED


Skies spin their dance within Your breath
Time runs its race within Your hand
My mind runs wild to comprehend
What no mind on earth could understand

Your ways are higher
Your thoughts are wilder
Love came like madness
Poured out in blood-wash romance
It makes no sense but this is grace
And I know You're with me in this place

Here now
All I know is I know that You are
Here now
Still my heart
Let your voice be all I 
hear now
Spirit breathe
Like the wind come have Your way
Cause I know You're in this place

Faith makes a fool of what makes sense
But grace found my heart where logic ends
When justice called for all my debts
The Friend of siners came instead

Cause I know then You're
Here now
Still my heart
Let your voice be all I
Hear now
Fix my eyes
On the things that I can't see now
Spirit breathe
Like the wind come have Your way

02/12/2016

Agradecimento póstumo (com dez anos de atraso)

Finalmente, tenho de te agradecer. É um agradecimento que chega com dez anos de atraso, mas é importante que fique registado. No dia em que partiste, amontoaste, embrulhaste em papel de jornal, implodiste e explodiste o meu coração, disseste que era melhor assim, que ficaria melhor sem ti -- quero que tenhas uma vida porreira e não não uma vida como a minha. E desapareceste no ar, como se não passasses de uma imaginação feita nuvem, bem ao gosto dramático das personagens dos maus romances. Agora que passaram dez anos e eu já me refiz da tua maldade, mesmo tendo escavacado com o coração mais uma vez ou duas, pelo caminho, posso dizer com toda a propriedade que tinhas razão. Tinhas toda a razão, na verdade. A minha vida não é como a tua e finalmente está porreira. Melhor que porreira, bem para lá disso. Agradeço-te, por isso, porque viste o que eu não via e não me impediste de alcançar o melhor que alguma vez tive. Aqui entre nós, que ninguém nos lê, não trocava um segundo do que tenho agora por qualquer bocadinho do passado. Podes voltar para o horizonte onde te desterraste, não preciso de ti, tenho planos para os próximos cinquenta anos.