30/01/2016

29/01/2016

Cortar a direito

Cortar com as linhas que enleiam o tempo, atam o corpo, atrofiam. Cortar as pontes - vê-las a arder até à cinza que o vento soprará para as incertezas. Cortar a ansiedade da espera, da resposta, da reacção. Cortar os fios do quadro eléctrico e desligar o Mundo.



27/01/2016

A história dos meus últimos cinco verões

Corzinha de Verão - Deolinda

E quem diz 70 pode muito bem dizer 80

Paruolo

PARA TODAS AS RAPARIGAS DE ESPÍRITO INDEPENDENTE, EIS UM VERDADEIRO GUIA DE AVENTURAS INTERDITO A RAPAZES.

Fomos raparigas nos anos 70, muito antes da Internet, dos telemóveis, do correio de voz. Os telefones tinham cabos e mostradores em que se discavam os números. Ouvíamos discos e cassetes – já éramos praticamente adultas antes dos CDs – e o mais das vezes fazíamos coisas audaciosas como, por exemplo, ir para a escola sozinhas. Ir de bicicleta à loja mais próxima. Tomar conta de crianças quando ainda tínhamos para que idade que tomassem conta de nós. Passar horas sozinhas, a brincar à macaca ou a fazer um forte no quarto, ou a transformar a vizinhança no cenário ideal para operações secretas, jogos inesperados e reinos medievais imaginários. Hoje em dia, as raparigas vivem no século XXI, com contas de correio electrónico e jogos de vídeo incrivelmente complexos, iPods e comunicações por cabo. A infância é, em muitos aspectos, mais gira do que a nossa – o que não daríamos por um comando à distância, uma parede de escalada ou um leitor de MP3! Não obstante, noutros aspectos, ser rapariga hoje em dia é menos divertido. A adolescência tornou-se competitiva e é alvo de muitas pressões, mais do que alguma vez pensámos, e as raparigas são encorajadas a ter melhor aspecto, a ser mais inteligentes e mais cuidadosas do que nunca. São induzidas mais cedo na idade adulta, são pré-adolescentes, adolescentes e mulheres antes do tempo. Muitas preocupam-se à exaustão com o corpo, a dieta e as notas.

Perante esta pressão, esta sobrecarga tecnológica e este perfeccionismo, apresentamos estórias e projectos sem fim, retirados da vastidão da história, da riqueza do conhecimento, da amplitude do desporto e da vida ao ar livre. Não se trata de recriar o nosso passado nos anos 70, nem em qualquer outra década, mas sim originar novo futuro. Considerem o Livro Audacioso para Raparigas um manancial de possibilidades e ideias para encher o dia de aventuras, explorações, imaginação – e, claro, alguma audácia e diversão.
Bon voyage.


26/01/2016

Só o amor me salvará

Ava Rocha - Doce é o amor

Viajar
Sob o sol
Até chegar
Outra vez
Ir sem saber
Até tornar a partir
Lembrar
Doce é o amor
Se der
Quero te ver
Viajar
Para a luz
Até cansar de viver
Ir sem pensar
Do coração
Até o mar
Saber
Doce é o amor
Se der
Passo por lá
Viajar

Não sei

Não sei escrever bonito. Não sei escrever com a leveza de um dia de Primavera, com a brisa suave a brincar com as saias das meninas e provocar risos em quem passa. Não sei escrever sobre os assuntos que não são meus. Não sei escrever. Raramente falo do que me dói na alma. Constantemente escrevo sobre isso, sem que o diga. Passarão os anos antes que se faça conhecido o porquê, a essência do que me aflige. Carrego comigo o peso das palavras mudas. É à minha porta que chegam as arcas antigas dos sorrisos pouco seguros que esconderam a mágoa, do entendimento de todas as coisas, dos gestos consoladores de quem ficou sempre a perder, e todos os dias perde mais um bocadinho. Não sei disfarçar as falhas dos cacos que sou eu.

25/01/2016

Os pássaros




os pássaros correm pelos céus
voam loucos
apanham balanço na força do coração
sobem nas alturas da esperança
cortam o medo com a liberdade das suas asas
e riem.
alguma vez ouviste um pássaro rir?
eles riem, riem porque lá de cima
todos os homens são menos do que eles
e as misérias do mundo são borrão que não os perturba
e o cheiro azedo da hipocrisia não sobe tão alto.

os homens não têm asas, têm de voar com os pés.


daqui e daqui

Foi dos primeiros poemas que escrevi e assumi. Já lá vão quase quatro anos e ainda me espanto e ainda gosto tanto como da primeira vez.

Recomeços

Preciso que qualquer coisa aconteça. De preferência uma qualquer coisa boa, inesperada, bonita, com sentido. Não tem de ser muito complicada, nem cara, nem no limiar do impossível. Tem de ser qualquer coisa, uma mudança, um pouco de ordem e paz no meu caos. Qualquer coisa que mude, para que nada permaneça igual.


radekrogus:

good night 🌜💤
radekrogus, good night 🌜💤

24/01/2016

Interrogações 2

22/01/2016

Interrogações

Quando é que se permite a alguém que nos prostre? Quando é que se lhe dá liberdade para, com as suas palavras e os seus silêncios, nos arrancar o corpo aos pedaços e nos rasgar a alma em duas? Quando é que se dá carta branca a que nos ocupe os dias e nos roube as noites, para não mais no-los devolver. Quando é que se aceita que a transparência nos cubra e o esquecimento nos varra para debaixo do tapete? Quando?


20/01/2016

Não se escreve

banishedagain:

Photo by Paulo H
Paulo H


Não se escreve a morte numa agenda e é por isso que há datas que ficam em branco. Não se escreve a ambivalência dos sentimentos, a mistura estranha da tristeza, do amargo e do alívio. Não se escreve a luta e a força de um sorriso inquebrável. Não se escreve que existe amor nos cemitérios. Não se escreve que morremos um bocado em cada funeral para podermos viver a vida com mais intensidade. Não se escreve quem constrói fossos sem pontes levadiças à volta do coração. Não se escreve a ordem das coisas e a falta que o amor faz. Não se escreve o esquecimento e o olhar dos que nunca viveram. Talvez não se escreva nada disto mas sei os abraços que apertam e os sorrisos que voltam depois do adeus.


Pedido à talentosa Imprópria para Consumo, dona de um blogue tão bem escrito que me deixa sem palavras.

19/01/2016

I'm better than that

É comum procurar o criador na criação, assumir que a obra produzida tem necessariamente relação com isto ou com aquilo. É um erro - inúmeras vezes. Assumo o erro, é demasiado tentador ver nesta versão da Clarice Falcão um grito de liberdade, até pela forma como pronuncia «I'm not gon compromise my Christianity / I'm better than that», para lhe passar ao lado. Chego sempre ao fim da música a pensar «toma e embrulha, ó Duvivier». 


Survivor - Clarice Falcão

18/01/2016

As vozes dos que nos dão as más notícias hão-de ressoar-nos nos ouvidos, na memória dos dias.

Visita chata, credo!!

I am lost, in our rainbow

This shirt - The Irrepressibles


A clip from the original film 'The Forgotten Circus' by the Director Shelly Love, featuring performers from Circus Space in London.To watch film in full go to www.shellylove.co.uk

17/01/2016

Querer e não poder (nem conseguir)

eclats-de-vers:



© Michael Kenna
© Michael Kenna 

16/01/2016

Da intimidade

15/01/2016

Como dar novos mundos ao Mundo

É preciso construir e destruir e construir e destruir mais e construir mais um pouco. É assim que se fazem novos mundos.

14/01/2016

A minha vida dava uma banda sonora #24

Há momentos em que decidimos em consciência ir pelo caminho errado. A manhã estará lá, em todo o seu esplendor radioso, para nos lembrar da idiotice que acabámos de fazer. Carregaremos a consequência dessa decisão muitos anos e sofreremos o castigo quando menos esperarmos. Ainda assim...

Klepht - Por uma Noite


Faz tempo que a culpa se foi
Ficámos de pensar só depois
Do erro.

A importância do retorno blogueiro

Tenho reflectido muito nos últimos tempos sobre a importância de ter um blogue e uma rede de leitores/comentadores. Várias vezes tem surgido em conversas orais e escritas a questão do volume de postagens, da quantidade de comentários feitos e dos comentários respondidos, havendo sempre uma ideia, que me surge como um ameaça velada, «quem não dá não tem».

Como comentadora compulsiva de blogues, que já fui, parece-me ser mais importante ter uma resposta honesta a algumas perguntas que considero essenciais e às quais respondi antes de iniciar a minha reabilitação virtual.



1. Por que tenho eu um blogue?

Se o blogue é uma forma de evasão emocional, uma base de dados diversos que está sempre à mão, uma espécie de experiência laboratorial para outras coisas, ter ou não retorno, alimentar ou não uma rede de leitores, pode não ser o mais importante.

Se o blogue é uma forma de comunicação, então a importância aumenta.


2. Que critérios uso para seguir um blogue?

No meu caso, sigo apenas os blogues que de alguma forma me acrescentam alguma coisa. Blogues até de pessoas que nem imaginam que eu existo e não me vão seguir, mas como o que me interessa é o que publicam, convivo bem com o facto.

Por isso, não sinto necessidade de comentar constantemente, para que o dono do blogue perceba que eu existo e que gosto do que leio - se eu sigo... para mim é óbvio, porém, pode não ser assim para todos.


3. Qual o objectivo de um comentário?

Para mim, e parto sempre da minha experiência, não encaro o comentário como os romanos encaravam as ofertas aos deuses - dou para que me dês. Claro que é bom ter retorno, claro que uma postagem muito comentada nos motiva, mas também temos de ter consciência que nem tudo o que publicamos é de fácil comentário.

Eu tenho. Acredito que nem sempre é fácil deixar uma palavra e não me choca nem chateia que as pessoas saiam como entraram - em silêncio.

Não aprecio o comentário «só porque sim», prefiro até que nem os deixem. Estes comentários parecem-me sempre aqueles «pois é» e «yah» que dizemos quando não sabemos como reagir às conversas. O silêncio também pode ser uma boa resposta.


4. Responder sempre ou só de vez em quando?

Na linha dos comentários vem o meu entendimento sobre as respostas aos mesmos. Se nem sempre é fácil comentar, responder também não o é. Há comentários que se esgotam em si, não há nada a acrescentar, e se a pessoa é leitora frequente a «relação» aguenta bem uns comentários sem resposta.

Parece-me mais correcto que se responda a quem chega pela primeira vez, para que a pessoa se sinta bem-vinda e saiba que foi lida.

Ler respostas que também não acrescentam nada é assim como os «pois» e os «yah» que são apenas ruído.


Para finalizar

Se calhar posso ser considerada anti-social da blogosfera, no entanto, a minha postura é o resultado de uma mudança de atitude face aos blogues e à minha maneira de reagir. 

Pago o preço de ver os seguidores a irem embora alegremente e de ter inúmeras postagens às moscas. É um preço consciente que em nada diminui o valor que dou a cada blogue que sigo e leio, mesmo que seja em silêncio.

13/01/2016

À falta de melhor

água

12/01/2016

Ao fim de quatro meses

tudo o que tenho a dizer é «caramba, tenho saudades do meu cabelo comprido!».

01

Come heal in my arms

Já me tinham passado pelas mãos nas páginas de um suplemento cultural de uma revista ou jornal, não sei precisar. Intrigaram-me os olhos de ambas - incisivos, doces. Como acontece com o que deixamos para depois, esqueci-me de procurar saber mais sobre as gémeas que cantam e dançam para espantar a morte. Ontem, num acaso que não sei recuperar, aconteceu-me descobrir finalmente a música de Ibeyi - e tão boa que ela é.


Ibeyi - Stranger/Lover

11/01/2016

Amamos mais os nossos mortos

que os nossos vivos. Não lhes negamos habitação na memória, nem tempo consumido no pensamento. Não lhes negamos a presença nas conversas com os outros, nem a satisfação dos desejos póstumos que em vivos nos foram tão caprichosos. Temos sempre tempo para os chorar, quando em vida raramente tivemos tempo para lhes sorrir.

Odeio homenagens póstumas!

09/01/2016

Agora que a noite vai longa

Night - Adna

06/01/2016

O divórcio da concentração

Bateu o pé indignada. Referiu aos gritos e dedo em riste que isto já dura há demasiado tempo e que é tempo de me decidir: Ou ela...
Foi-se embora, bateu a porta com fúria e é bem provável que não volte tão depressa.


05/01/2016

Vontades vespertinas




sonetos petrarquianos, de rimas entrelaçadas, interpoladas e emparelhadas

Preciso de um incentivo para voltar ao ginásio





Às vezes, as mulheres conseguem embaraçar-me tanto...

04/01/2016

E quando as perdemos estão sempre / Ao nosso lado

Há pessoas que nos morrem mais depressa
do que outras.
Há pessoas que nos morrem e lentamente nos
levam aos pedaços para parte incerta.
Há pessoas que nos põem um fruto negro
no lugar do coração.




O pão
Rui Costa

Há pessoas que amam
Com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
E quando as perdemos estão sempre
Ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
A lua encontra o pão caiado que comemos
Enquanto o riso das promessas destila
Na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
Onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
E pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
Que não precisa de voar.


(04-01-2015)

01/01/2016

O dia declina com uma gargalhada.
A primeira do ano, verdade seja dita. E que bem que soube!