13/08/2016

Nada me pertence

Não tenho nada de meu. Esta foi a conclusão a que cheguei, enquanto via passar um mar sereno de gente a crescer, qual onda, vindo do lado da areia, e a dispersar-se em frente às nossas bancas. Não tenho nada de meu, porque por tudo se paga direito de uso, taxa, imposto, renda, prestação, enfim. Nem o passado me pertence. Cada um foi à sua vida, ou continua no seu direito inalienável de permanecer morto, e as memórias foram perdendo a intensidade até ao ponto da dúvida. A idealização é uma tentação muito grande. A desvalorização também. Quando foi a última vez que te beijei como se a minha vida dependesse disso? Não me lembro. Creio que passaram anos, mas pode muito bem ter sido apenas ontem.

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