09/08/2016

Longas tardes de Verão

Há alturas em que a vida é uma longa tarde de um Verão escaldante. Tórrida, sem uma brisa que corra e alivie a dormência do corpo, estéril e seca. Como as tardes de Sábado demasiado compridas nos campos a perder de vista. O comboio ao longe, demasiado rápido para duas mãos cansadas. O Sol a pique a incendiar as costas dobradas sobre o vazio, os pés enterrados na terra fina a cozer os ossos, pequenas joaninhas a pontilhar o arrastar das horas a mais. Uma camada fina de cansaço e desconsolo cobre os ombros descaídos. Tudo está parado. Silencioso. Ausente. E de repente.

3 comentários:

  1. ... e de repente... qual foi a surpresa, Carla?

    ResponderEliminar
  2. Sim... quase que deixamos de existir, Carla.

    E podíamos ficar o resto do Verão sentados ou deitados numa verdadeira sombra...

    ResponderEliminar