15/07/2016

Os opostos do amor

Foi uma conversa agradável. Durante cerca de duas horas, Júlio Machado Vaz falou sobre futebol, sobre os portugueses e o futebol, o sofrimento, a dependência, o luto, a autopiedade, o amor. E o oposto do amor.

«O oposto do amor é a indiferença. O ódio é ainda uma réstia de sentimento.»

Escrevo as frases que ouvi, num repente, para não as contaminar com palavras minhas. Percebo que é esta a minha luta, aquela que falho em vencer todos os dias. Não há indiferença em nada que faço. Posso remexer o passado que não me interessa e aonde não quero voltar, nem com intimação; posso divagar sobre o tempo; submergir-me em silêncio; pintar as unhas dos pés de azul forte e passar horas a descascar fisális para um doce que não sei se farei. 

Posso ocupar a cabeça com tudo o que me convença que devolvo a mesma indiferença que todos os dias chega e me arrefece mais os ossos, a única certeza que tenho é estar cada vez mais perto do ódio.

6 comentários:

  1. Ainda cativa, ou a manutenção da auto comiseração?

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    1. Só a entender que a indiferença é mais difícil de cultivar que o ódio. :)

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  2. Mas podemos odiar alguém por quem nunca sentimos nem vamos sentir amor. E somos indiferentes a milhões de pessoas.

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    1. É verdade.
      Só que Júlio Machado Vaz falava dos opostos do amor e que, ao contrário de muitos, não acreditava que era o ódio, antes a indiferença.

      É essa que preciso alcançar urgentemente e que ando a disfarçar com outras coisas. :)

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  3. O tempo é um bom remédio. O problema é a memória...

    Beijos,Carla :)

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