01/05/2016

Pensamentos dispersos no Dia da Mãe

Aos 36 anos, há quem exiba uma família perfeita, há quem exiba um namorado excitante, há quem exiba uma carreira de sucesso. Eu exibo um cabelo castanho que nunca viu tinta e desconhece cabelos brancos.


Aos 36 anos entra-se numa espécie de limbo onde já ninguém conta connosco para nada: o Dia da Mãe é para as mais velhas, que já o são, ou para as mais novas, que estão quase a ser, as que já não são novas e ainda não são velhas são transparentes.


Entretanto, é Dia da Mãe e o irmão mais novo fez anos, Foi muito festejo para um bolo de chocolate só.

9 comentários:

  1. Carla, esta dá pano para mangas.
    Então, vamos por partes, por ordem crescente de dificuldade:

    1º. - Parabéns ao mano. Por este andar, um dia destes ainda te apanha.:)

    2º. - Que óptimo o teu cabelo ainda não ter visto tinta, nem ter brancos. Com a tua idade, também era assim comigo.
    Nunca me deu para brincar às cores com o cabelo (a que tenho é muito próxima do original) e só me apareceram os brancos aí pelos quarenta.

    3º. - Quando me explicares o que é carreira de sucesso, volto a este ponto. Será que é ter um ordenado bom e certo, e sem grandes fragilidades ao nível do contrato de trabalho?
    Esta parte é importante, sim. Porque nos dá estabilidade e permite ter coisas de que gostamos... Disse ter coisas. Quanto ao estar-se bem a conversa pode ser bem diferente.

    4º. - Não existem famílias perfeitas. Todas as famílias têm problemas e coisas designadas por estranhas, tendo em conta a noção teórica de laços familiares.
    Há pessoas que vivem confortavelmente com a ideia de que o ter o mesmo sangue serve de chapéu de chuva para proteger de opiniões e atitudes diferentes que não se discutem em devido tempo e a amargura emerge.
    Há o pudor compreensível de confessar que há problemas por esse lado.
    Na prática, nos nossos círculos mais restritos e em que existe cumplicidade, vamos percebendo que as "famílias não perfeitas" são relativamente comuns.

    5º. - A tua expressão "espécie de limbo" quererá dizer estar fora do prazo de validade?
    A fragilidade das relações, que adquiriu maior visibilidade nas últimas décadas, obriga-nos a relativizar o limbo, ou a faixa etária mais torturada por ele.
    Parece-me ser relativamente consensual que são os afectos que fazem a grande diferença na nossa vida, onde se encaixam os afectos decorrentes das relações amorosas.
    Talvez a "gravidade" do problema de quem não se sente bem por este lado (onde se inclui quem tem relacionamentos não satisfatórios) dependa muito da história dos protagonistas. As decepções, o que falhou, parece ter um grande peso em avançar, arrancar de novo ou alterar. E creio que este peso é mais sentido pelas mulheres, embora no caso dos homens exista maior resignação a relações pouco satisfatórias que faz com que arrisquem menos. Falo de generalidades, obviamente.

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    1. Sei isso tudo, Isabel, e entendo o que me estás a dizer.
      Mas, sabes, às vezes a água mole de certas conversas tanto bate na pedra dura da minha indiferença que fura. E quando fura provoca pequenas catástrofes internas que ONG alguma é capaz de minimizar. É só disto que estes pensamentos dispersam tratam.

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  2. Não mintas acerca dos cabelinhos brancos... eheheheh Eu tenho tantos pah!

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  3. Lá está! Eu acho que esta gente inventa estes calendários de festas de propósito para me fazer sentir disfuncional. Um dia por ano sinto que devo um pedido de desculpas ao mundo por não ter filhos. Felizmente é mesmo só um dia por ano.

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    1. Deve ser a vingança por sermos lindas e maravilhosas! :)
      No meu caso, começam já a ser muitos dias por ano e demasiado seguidos.
      Acho que tenho de mudar de pessoas.

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  4. Famílias perfeitas?? Onde? Onde?
    Os estereótipos só servem a quem os quer. Tu, por exemplo, não tens cabelos brancos e eu invejo isso. Claro que adoro ser mãe mas isso não tem nada a ver.

    Beijos, Carla :)

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    1. Eu sei que não há, tu sabes que não há, acho que toda a gente sabe. Mas há quem goste de estar sempre a negar o óbvio e a usar o facto como arma de arremesso. E quando é para excluir alguém de uma conversa, tudo serve.

      Beijo, Maria :)

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  5. aos 36 anos a vida pode ser um carrossel de coisas boas, Carla.
    mesmo com as amarguras da vida.

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