02/05/2016

Aceitação, ou a passividade desolada

Do que mais me custou a aprender nesta vida foi a aceitação. Não a aceitação dos começos ou das mudanças, mas a aceitação do fim. Muitas vezes recusei entender (e aceitar) a inevitabilidade do ciclo que chega ao seu ocaso. Muitas mais vezes insisti até à exaustão, por acreditar que havia uma dose grande de culpa que me pertencia, e, se as coisas iam acabar, a razão estava unicamente em mim: eu não tinha feito o suficiente, eu tinha feito demais, eu não tinha investido, eu tinha sido orgulhosa por ter esperado um qualquer avanço do outro lado, eu culpada, sempre. Com o tempo fui aprendendo que nem tudo pode ser da minha responsabilidade, a compreender o valor real dos meus esforços e a antecipar com maior precisão o fim. Assisto, agora, a tudo com uma enorme dose de passividade desolada por saber que nada conseguirá travar a sucessão dos eventos. Pesam estes sobre mim como chumbo, atrofiando os esforços inocentes que nascem debaixo de todo aquele lastro. Às vezes, esses esforços perdem as folhas nas arestas aguçadas e secam antes mesmo de ver a luz. Há-de haver um que consiga, que irrompa pelo meio do lixo do passado e cresça de tal forma que afaste para bem longe tudo aquilo. Ou então ficará tudo como está.


5 comentários:

  1. Muitas vezes a culpa não é objectivamente de ninguém. As coisas acabam por que sim, Carla, porque têm prazo de validade...

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  2. Um fim representa quase sempre um novo começo.

    ;)

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  3. Carla, há-de haver algures o meio termo, ainda que às vezes aos tropeções, entre a culpabilização e a passividade.

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  4. nã há manual de utilizador...

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  5. Percebi agora que não vos respondi. Sou mesmo totó...

    Entendo-vos, todos e cada um, mas não tenho nada realmente útil a dizer-vos. :)

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