30/03/2016

O caminho não se faz a direito

zannycat:


Soft Sand by © Anne Ueland
Soft Sand by © Anne Ueland

Fugimos ao cativeiro do nosso passado antigo com a promessa de um lugar novo, onde viveremos aquilo que não tivemos. Saímos, levando areia nos bolsos, perseguidos pelos fantasmas das pequenas decepções. Haveremos de passar muitos dias no deserto, enterrando os pés na areia, como âncoras, para não voltarmos atrás; lavando os vestidos com a água da nossa mágoa. Os dias hão-de correr, enquanto perseguimos oásis enganadores e apagamos os passos que a areia falha em conservar. Desistiremos do caminho que fazemos para a frente, recuperando o que deixámos para trás. Desistiremos novamente do retrocesso e seguiremos rumo à maravilha, com vigor renovado. Ignoraremos os marcos de pedra que nos gritam que um dia vivemos presos e estão por todo o lado, lembrando aos outros a nossa vergonha. E seguiremos, apesar de tudo, com duas certezas em mente: haveremos de chegar, é a primeira. A segunda: o caminho não se faz a direito.

8 comentários:

  1. Carla, por muito que doa, felizmente o caminho não se faz a direito. O caminho que vale a pena não se faz a direito.

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    1. É o tempo do gastar e gastar leva o seu tempo.
      Se formos a direito, corremos o risco de ainda levar areias antigas nos bolsos. :)

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  2. ;)
    http://www.poetryfoundation.org/poem/173536

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    1. Creio que aqui o caso é mais andar às voltas! :)


      (gostei muito do poema)

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  3. O caminho mais mal iluminado é o da expectativa.

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    1. Neste caso, o problema nem é tanto a iluminação, é mesmo uma dificuldade imensa em seguir direcções. :)

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  4. todos os caminhos são bons.
    os que têm espinhos às vezes surpreendem-nos.

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    1. São, pelo menos, necessários -- com ou sem surpresas. :)

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