29/03/2016

Não sei como explicar

Francesca Woodman @Foam Amsterdam
Angel Series, Rome, 1977-1978



Gastei as palavras, não sei como explicar
o que o meu coração sente. É silêncio
que falo, é silêncio que escrevo. Presa num vácuo
que se dilata à medida que o meu corpo se
movimenta.
As folhas dos meus cadernos estão vazias, nos
dicionários os vocábulos têm cores desmaiadas.
Sinto sentimentos que não sei definir, um cansaço
na alma e um peso nas mãos.
Não sei do que falo.
Eu não falo.
Tudo é silêncio. Árido, frio,
silêncio que ensurdece.
Gastei as palavras. Não sei como explicar
o que o meu coração sente.

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Silêncio.

11 comentários:

  1. Outra vez esse negrume? Não tínhamos combinado que doravante prevaleceriam as histórias em technicolor, com as músicas inexploradas, os livros que deixam formigueiro nos olhos e demais detalhes da vida (sur)real? Vá, vá, desta vez passa mas que eu não veja mais por aqui este alarido monocromático.
    Ass: Brigada Motivacional

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    1. Como se não soubesses o que a casa gasta...
      :)


      (mas não deixa de haver óptimas notícias no horizonte)

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  2. :) Tell me about it...

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  3. "Não sei como explicar o que o meu coração sente"....
    Não teria dito/escrito melhor.
    Beijinhos

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    1. Foi um poema escrito há uns dois anos, para uma amiga.
      Está no Cais, devidamente documentado.

      Hoje adaptei-o -- acho que levou uma sacudidela. :)

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  4. Seguir caminho. Apreciar a paisagem e colorir a vida. O resto vem durante a viagem. Todos os dias dou o meu melhor, tenho dias...

    Beijinho a cores

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    1. Digamos que este foi um dia de pausa na caminhada rumo a coisas melhores.
      Também é preciso. :)

      Muitos para ti!

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  5. Ora aqui está o exemplo de uma coisa bonita e triste, Carla.

    Palavras bonitas a expressarem a tristeza do vazio... poesia...

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    1. Obrigada, Luís.
      Às vezes lá me calham coisas assim. :)

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  6. Eu também não sei. Sei, no entanto, que por vezes também sinto assim.

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