05/02/2016

Quando eles fazem parte da família

Um animal dificilmente terá para mim valor superior à vida de alguém, o que não quer dizer que o seu valor não seja elevado. Deixamos que eles nos escolham e adoptamo-los como parte integrante do dia-a-dia. Habituamo-nos a encontrá-los por todo o lado, a pedirem comida, a mimarem e a serem mimados. Quando os perdemos, há uma dor fina que se entranha nos ossos e fica lá a doer por muito tempo.


Apaixonámo-nos uma pela outro ao primeiro abrir de olhinhos, quando ela ainda era uma coisinha comprida, de orelhas e focinho escuro. Tinha um olhos doces e um pelo macio como poucos, fugia das visitas e escondia-se debaixo da minha cama ou atrás de um cortinado até elas irem embora - mesmo que só ao fim de muitas horas. Enroscava-se aos pés e era capaz de passar o dia inteiro em silenciosa companhia, ronronando de prazer quando recebia festas.

Escolheu-me como parteira e enfermeira, na primeira ninhada que teve. Confiava ao calor dos meus lençóis a pequena cria, por muitos sustos que me causasse. Quando esteve doente, procurava-me ainda mais e deixava que lhe curasse a ferida lhe enfiasse comprimidos pela garganta abaixo.

Ontem a minha delicada Tica, sempre de coleira e sino a tilintar, elegante como as princesas, não resistiu mais a uma infecção que lhe destruiu a pele, nem às operações, nem aos tratamentos.

Saiu há uma semana para o veterinário e não voltou. Nem volta.

Ainda não me conformei.