11/01/2016

Amamos mais os nossos mortos

que os nossos vivos. Não lhes negamos habitação na memória, nem tempo consumido no pensamento. Não lhes negamos a presença nas conversas com os outros, nem a satisfação dos desejos póstumos que em vivos nos foram tão caprichosos. Temos sempre tempo para os chorar, quando em vida raramente tivemos tempo para lhes sorrir.

Odeio homenagens póstumas!

5 comentários:

  1. Carla, como sabes não faço qualquer culto dos mortos e, à excepção da última frase, não me identifico com as afirmações.

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    1. Não pensava num culto feito de rituais mais ou menos públicos (missas, flores, idas semanais ao cemitério), pensava mais no espaço que lhe damos dentro da cabeça, aquele que não tem hora marcada, nem ritual que o auxilie.

      Os mortos habitam-nos os dias, mais não seja quando dizemos «quando íamos de férias antes dos avós morrerem...», por exemplo. A morte dos nossos mortos baliza-nos - e isto é uma inevitabilidade.

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    2. Mas aquele texto também encerra a observação de um comportamento que se mantém face à morte, especialmente a dos «famosos».

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    3. Sim, Carla, entendi isso, e quis referir-me também a esse espaço dentro da cabeça. Os meus vivos são sempre mais lembrados do que os meus mortos. Tal não significa que não reconheça que o que escreveste é válido para muita gente, talvez para a maioria.
      Pois, isso DE TODO não estou presente porque não me diz nada. Aliás, incomoda-me.

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