14/01/2016

A importância do retorno blogueiro

Tenho reflectido muito nos últimos tempos sobre a importância de ter um blogue e uma rede de leitores/comentadores. Várias vezes tem surgido em conversas orais e escritas a questão do volume de postagens, da quantidade de comentários feitos e dos comentários respondidos, havendo sempre uma ideia, que me surge como um ameaça velada, «quem não dá não tem».

Como comentadora compulsiva de blogues, que já fui, parece-me ser mais importante ter uma resposta honesta a algumas perguntas que considero essenciais e às quais respondi antes de iniciar a minha reabilitação virtual.



1. Por que tenho eu um blogue?

Se o blogue é uma forma de evasão emocional, uma base de dados diversos que está sempre à mão, uma espécie de experiência laboratorial para outras coisas, ter ou não retorno, alimentar ou não uma rede de leitores, pode não ser o mais importante.

Se o blogue é uma forma de comunicação, então a importância aumenta.


2. Que critérios uso para seguir um blogue?

No meu caso, sigo apenas os blogues que de alguma forma me acrescentam alguma coisa. Blogues até de pessoas que nem imaginam que eu existo e não me vão seguir, mas como o que me interessa é o que publicam, convivo bem com o facto.

Por isso, não sinto necessidade de comentar constantemente, para que o dono do blogue perceba que eu existo e que gosto do que leio - se eu sigo... para mim é óbvio, porém, pode não ser assim para todos.


3. Qual o objectivo de um comentário?

Para mim, e parto sempre da minha experiência, não encaro o comentário como os romanos encaravam as ofertas aos deuses - dou para que me dês. Claro que é bom ter retorno, claro que uma postagem muito comentada nos motiva, mas também temos de ter consciência que nem tudo o que publicamos é de fácil comentário.

Eu tenho. Acredito que nem sempre é fácil deixar uma palavra e não me choca nem chateia que as pessoas saiam como entraram - em silêncio.

Não aprecio o comentário «só porque sim», prefiro até que nem os deixem. Estes comentários parecem-me sempre aqueles «pois é» e «yah» que dizemos quando não sabemos como reagir às conversas. O silêncio também pode ser uma boa resposta.


4. Responder sempre ou só de vez em quando?

Na linha dos comentários vem o meu entendimento sobre as respostas aos mesmos. Se nem sempre é fácil comentar, responder também não o é. Há comentários que se esgotam em si, não há nada a acrescentar, e se a pessoa é leitora frequente a «relação» aguenta bem uns comentários sem resposta.

Parece-me mais correcto que se responda a quem chega pela primeira vez, para que a pessoa se sinta bem-vinda e saiba que foi lida.

Ler respostas que também não acrescentam nada é assim como os «pois» e os «yah» que são apenas ruído.


Para finalizar

Se calhar posso ser considerada anti-social da blogosfera, no entanto, a minha postura é o resultado de uma mudança de atitude face aos blogues e à minha maneira de reagir. 

Pago o preço de ver os seguidores a irem embora alegremente e de ter inúmeras postagens às moscas. É um preço consciente que em nada diminui o valor que dou a cada blogue que sigo e leio, mesmo que seja em silêncio.

33 comentários:

  1. Pois eu gosto muito de cá vir, em silêncio.

    Abraço.

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    1. Oh!, quantas vezes não vou eu ao teu da mesma forma!!
      :)

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  2. Venho aqui porque gosto e se tiver alguma coisa para dizer deixo comentário. Se nao acrescentar mais nada o melhor é estar calada.
    :)
    Um beijo

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    1. Leio o teu sempre de forma intrigada.
      Como sei que não alcanço nem metade de aonde queres chegar, leio e penso «a rapariga escreve coisas muitos boas». Às vezes digo-te.
      :)

      outro para ti

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  3. anti-social da blogosfera, é um conceito engraçado :)

    fora dos teclados e monitores, não deixamos de estar com as pessoas mais reservadas, só porque opinam menos ou fazem menos "barulho".

    parece-me que , por vezes - nem sempre, mas demasiadas vezes, muitos comentários são apenas um excesso de ruído.

    seja como for, acho que deves estar (nos blogues ou outro sítio qualquer) exactamente como te apetecer *

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    1. Nada contraditório! :))

      É isso mesmo que me ando a obrigar fazer de há uns anos a esta parte.

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  4. 1. Mesmo que o blogue seja uma forma de evasão emocional - e não estou a dizer se o é ou não para mim - se há uma caixa de comentários é porque o dono reconhece alguma importância ao retorno. Tal não significa que a "importância" do blogue seja aferida pela quantidade e substância dos comentários.

    2 - No que respeita aos comentários e na senda do que disse no ponto 1, claro que esse tipo de necessidade de comentar não faz sentido.

    3 - Concordo com tudo o que disseste.

    4 - Sou da opinião que se deve responder sempre aos comentários, mesmo que a resposta se trate "apenas" de uma manifestação de como foi lido. Não acrescenta nada? Faz parte das regras do viver em comunidade e isto não é nenhuma contradição com o facto de aquele blogue não ser para a pessoa uma forma de comunicar.
    No meu blogue respondo a todos os comentários e acho impensável não o fazer. Se enveredar por aí, por motivos de falta de disponibilidade ou outros, retiro a caixa.
    E não gosto que não haja resposta aos comentários que grafo. Talvez a minha tolerância vá ai até às três ou quatro tentativas no mesmo blogue. Se persistir o silêncio deixo de comentar, o que não significa que deixe de lá ir. É que não percebo o que faz uma caixa de comentários cujo dono não passa cartão ao que lá fica e a quem usa do seu tempo para escrever.

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    1. Creio que a maior diferença está na forma como entendemos o diálogo num blogue. Pessoalmente, não entendo que o comentário fique preso a um texto, quando se comenta frequentemente um blogue, pode-se levar assuntos de uns sítios para outros - dentro e fora, isto é, o blogue do comentado ou do comentador. O comentário a um texto até pode ser feito noutro, assim como a resposta.

      Mesmo quando se conversa cara a cara, as conversas não são fechadas logo, nem tudo é argumentado até estar esgotado. Acontece-me tanto estar a ter uma conversa e lembrar-me de outra com meses e então acabá-la.

      Claro que não incluo aqui comentários que são perguntas directas ou aqueles comentários abertos a pedirem continuação e depois nada.

      Também não acho que se deva fechar a caixa de comentários se não há disponibilidade para responder a todos os comentários. Quantas vezes vou a museus e venho embora sem assinar o livro de mensagens ou quantas vezes este livro não existe?

      Encaro a caixa de comentários como a permissão para que quem lê se manifeste - a favor ou contra -, independentemente de mim.

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    2. Entendo que o comentário possa não ser fechado e que a referência a um mesmo post possa ser feita noutra publicação, mas deve haver algum equilíbrio na distância temporal e temática para poder ser inteligível.
      E claro que os comentários não têm de ser fechados, até é bom que não o sejam. Assim como acontece com as conversas.

      Não percebi a comparação com o livro de visitas de um museu. O que é que isso tem que ver com a disponibilidade em responder a comentários? Nos blogues, tal como nos museus, não precisas de dar opinião. Mas quando deixas mensagens no livro de visitas de um museu, tal é objecto de tratamento ou devia ser(conheço essa realidade) e deverás receber resposta caso coloques uma questão / reclamação com contacto agregado.

      O comentário, apesar de estar numa plataforma pública, para mim deve ser respondido. Uma necessidade que assemelho a de se responder a um mail, a um postal, salvaguardando as distâncias de não ser correspondência pessoal.

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    3. Falei do livro de visitas como comparação com a caixa de comentários.
      Quando se fazem perguntas, se deixam reclamações, etc., deve-se sempre dar resposta. Não o questiono, até porque tenho quilómetros de caracteres em comentários que não tiveram retorno algum.

      Depois sou eu que faço a escolha: vale a pena voltar ou não? Se valer, faço-o com a consciência de que posso voltar a comentar e voltar a não ter retorno. Se ainda assim achar importante deixar a minha opinião, faço-o.

      É uma questão de saber como se encaram as coisas. Incomoda-me mais que a ausência de comentários possa ser encarado como não leitura - eu até posso comentar tudo e não ler 90% do que a pessoa escreveu, como posso deixar pouquíssimos comentários, sendo uma leitora atenta.

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  5. Ah, claro que se pode argumentar que se passa cartão porque se leu, mas se não houver uma manifestação do outro lado isso não é entendido.

    E ainda no que respeita ao ponto 1: mesmo quando um blogue é tido como uma forma de evasão emocional, se ele existe é porque há uma necessidade de comunicar essa evasão. Pode ou não haver a necessidade de receber opiniões, comentários, sobre essa evasão.

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    1. Sim, somos seres comunicantes, até a assumpção de anti-sociabilidade é uma comunicação à sociedade. :)

      Pode-se é depender emocionalmente mais do retorno ou não.

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    2. Lembrei-me agora, a rubrica «Blogues de leitura obrigatória» é a minha retribuição aos excelentes bloggers que me lêem e comentam (tem estado parada por falta de disponibilidade), ou mesmo que não o façam -- porque são tão bons que têm mesmo de ser lidos.

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    3. Retribuição?
      Então, isto não estará associado ao "quem não dá, não tem", mencionado logo no início?

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    4. Reconhecimento será a melhor palavra.
      Não necessariamente, porque não fico à espera que me façam o mesmo e até sugiro blogues das tais pessoas que não me seguem.

      Como os leio, reconheço-lhes valor e recomendo-os.

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  6. se não quisesses alimentar uma rede de seguidores não publicavas no google.
    Já pensaste?
    quando deitaste este post cá para fora foi para quê?
    Esquece o Google, e acreditarei :)

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    1. Porque há pessoas que seguem o blogue por lá.

      A questão não é seguir ou deixar de seguir. Eu não digo em lado nenhum que sou contra seguir blogues, o que eu digo é que não me é necessário que quem me segue tenha de dizer alguma coisa ou tenha de dizer sempre alguma coisa. Assim como, quando se comenta, possa não haver uma resposta.

      São coisas diferentes.

      Não vejo onde é que está o problema e onde é que ter ou não G+ seja relevante para o caso.

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  7. eu escrevo em cadernos folha A4, guardo só para mim, publicarei em livro ou não, é uma opção minha. o que tenho para mim, não publico aqui.
    :)

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    1. Estás comentar ao lado da questão. Não é isso que está em causa.
      Ou será que comentaste, mas não leste? :)

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  8. Posso meter aqui uma colherada relativamente ao teu diálogo com o Tristan? ;)

    Estares no G+ tem alguma influência para a situação em análise porque se trata de uma rede social. E não digo que o faças com essa intenção.

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    1. O G+ só seria relevante no caso de eu afirmar ser contra o virtual ou as redes virtuais. EU não o afirmei. Aliás, na primeira pergunta, a resposta varia para cada um e é segundo ela que se avalia se os comentários no blogue são assim tão importantes ou não.

      Volto a frisar: o que para mim não é assim tão importante é que tenha comentários às minhas postagens, nem eu vou deixar de visitar e comentar blogues porque os seus donos não me comentam.

      É isto que está aqui em causa, não a rede social em si.

      Como escrevi no ponto 3:
      « Claro que é bom ter retorno, claro que uma postagem muito comentada nos motiva, mas também temos de ter consciência que nem tudo o que publicamos é de fácil comentário.

      Eu tenho. Acredito que nem sempre é fácil deixar uma palavra e não me choca nem chateia que as pessoas saiam como entraram - em silêncio.»

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    2. Apenas agarrei no assunto da rede social por causa de ter influência na construção de um grupo de seguidores, mesmo que não se utilize com esse fito.
      Claro que não está em causa a rede.

      Reforço a minha total concordância com o ponto 3.

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    3. Certo, mas só eu é que sei que tipo de pessoas lá tenho e o que partilho com cada um. Ou seja, até lá posso ter 300 seguidores e só partilhar os links com 2 ou 3, o que é pouco para alimentar uma rede em condições. :)

      O exemplo não anda longe da realidade. :)

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  9. oié ;)

    (não é ah pois nem yah, viste?)

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    1. Tu sabes umas coisas muita giras! ;)

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  10. Os blogues são uma forma de onanismo e uma «pescadinha de rabo na boca» Lemo-nos uns aos outros, comentamo-nos uns aos outros, o resto é conversa para boi dormir. O que posso partilhar é de certo modo o meu lema «Do your own thing and fuck what other people think».

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    1. Verdade!
      E aproveito para dizer que a ler o menino com muita apreensão.

      Toma lá uma beijoca repenicada qu'agente estemos quase a fazer anos outra vez!! (vês do que eu me lembro ;)

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  11. pois eu cá leio muitos e comento quando me abana.
    nunca deixei de os ler, mesmo que não me comentassem. e olhem que passei vários anos sem receber comentários.
    ultimamente tenho chegado a alguns blogs que não deixo de ler. uma letra leva a outra e voilá. tenho feito descobertas incríveis.
    a ti, Rapariga, já é um amor antigo. :)

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    1. Sei bem dessa ausência de comentários durante anos. E o estranho que foi quando o primeiro desconhecido me comentou? :)

      É um amor recíproco, querida Laura, gosto tanto do teu sítio das pequenas coisas! :))

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  12. Não estarás a racionalizar algo que não tem explicação, como é o caso da blogosfera?

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    1. Li o teu comentário e gargalhei!
      És capaz de estar carregadinho de razão. ;)

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  13. Eu, anti-social me confesso :-)

    Beijos

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    1. E tens todo o direito a sê-lo e a confessá-lo, se quiseres. :)

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