30/11/2015

Declaração de intenção

Tenho a página em branco à minha frente. Penso no que hei-de escrever. Ensaio algumas palavras que escrevo e apago. Considero inspirar-me com alguma música ou imagem. Lembro-me da descontracção do meu passado no seu jeito felino «a palavra que mais identifico com a Rapariga é cansaço». Paro imediatamente os dedos sobre o teclado. Hoje, não escreverei sobre isso!
 
realityayslum:

Hedrich Blessing 
Silhouetted Typist, 1930s
Hedrich Blessing
Silhouetted Typist, 1930s

29/11/2015

Cada vez menos

Não entendo as pessoas que vivem num permanente estado de enamoramento pelos trabalhos que fazem. Não faço o que amo, amo pouco do que faço. Conto pelos dedos de uma mão o que realmente me entusiasma. De resto, é o fazer porque fazer é melhor do que não fazer. Largo livros a meio, esqueço-me das músicas que ouço, ignoro o que já vi. Fui perdendo objectos pelo caminho, e pessoas. Caem-me das mãos todos os dias: os objectos e as pessoas. E eu não faço nada do que amo e amo cada vez menos tudo o que faço. Há palavras de fogo que me queimam a alma. Há o medo de saber se foram raiva ou verdade. E caem, elas caem, tombam, todos eles. Amo cada vez menos. Mas só o que faço.



amespeciale:

Sentire….

28/11/2015

Quando por fim vier o fim

vintage-cf:

vintage blog
autor desconhecido


Quando chegar o fim e eu já não reconhecer as minhas mãos
quando o meu coração se cansar de sentir e os meus olhos de imaginar
quando as folhas de todos os livros ficarem por fim em branco
e as palavras desaparecerem
então pegarei em objectos antigos e inventarei
novas formas de me perder.

27/11/2015

Não sei que se passa comigo

Mas nos últimos dias tem-me dado para ouvir música francesa. Não uma qualquer, daquela mesmo de cortar os pulsos. Na verdade, já fiz as pazes com este meu gosto particular por músicas com letras miseráveis e deixei de parte as análises de divã, querendo ver nisto mais do que é: pancada.

Portanto, caríssimos que me lêem, não há muito mais a dizer. Siga Jacques Brel, para arrancar lágrimas às pedras da calçada (que eu devo estar a ovular).


Ne me quitte pas - Jacques Brel

26/11/2015

24/11/2015

Hoje


 
Pela primeira vez, despedimo-nos sem dizer até amanhã. Adiámos o momento até não podermos mais. Necessariamente efeitos secundários da constipação, já tenho saudades de todos e de cada um.
O que é que faço agora? Quem é que me vai fazer rir? A quem é que eu vou pintar as unhas? E as queixas, Deus meu, as queixas! A quem as faço agora? Quem vai trazer bolachas e tostas para comer com os meus doces? A quem prometo eu limpar o carro a troco de sucessivas boleias? E os almoços e as natas e as fotocópias?
Hoje não houve até amanhã. Os efeitos secundários são já uma tremenda saudade.

23/11/2015

Sem resguardos

lavandula:

kate moss by paolo roversi, 1996
Kate Moss by Paolo Roversi, 1996

Não sei o que é dar-me aos bocados. Nem o que são jogos de intenções, malabarismos de emoções, toca-e-foge. Não sei o que é o largar milimétrico da corda, para a seguir a puxar com toda a força, nem o rodopio insinuante das palavras de pouca verdade. Sei o que é um peito aberto, nu e exposto. Sem resguardos, sem filtros, sem avatares de coisa alguma. Até ao esvaziamento. até ficar com coisa nenhuma nas mãos. Até ao cansaço total.

21/11/2015

São tudo fantasias que o cinema projectou no meu olhar


Márcia + Dead Combo - "Visões Ficções"

20/11/2015

Que fazer?

Quando o desnorte é a única estrela que nos guia?

19/11/2015

Há-de engolir-nos de vez

 
O silêncio impõe-se. Aprenda-se ou não, estará lá -- um nevoeiro surdo a alimentar-se das pequenas vozes que resistem no tempo. Porque hoje não se diz, amanhã também não, no dia a seguir muito menos. O mundo desfila à frente dos olhos um cinema de horrores. A boca muda. Cobre-se a carne de manchas roxas, feias manchas de dor. A boca muda. E os outros falam e riem e cantam e embriagam-se do que têm mais à mão. Muda -- a boca, as palavras, o vago gesto da reacção. O silêncio impôs-se e um dia há-de engolir-nos de vez.
 

Todos os instantes contam

17/11/2015

Morrer de tédio

Os computadores têm os ecrãs abertos como janelas que dão para paredes de cimento. Remexem-se as cortinas, sacode-se o pó, à procura de pequenos póneis escondidos no meio da lama do tédio. A voz embala -- ouve-se sem se ouvir. Medimos o cansaço de forma muito eficiente. Escrevemos planos de processos com a eficácia de pequenas máquinas oleadas rumo ao sucesso. Tudo se passa ao longe. Longe. Longe. Tudo está longe. Os afectos, a vontade, a vida, e o fim dos dias. A seriedade é um manto pesado que esconde as nódoas negras da indiferença. Números contabilizados em nada. Baixam-se os índices do que se mostra - somos perfeitos em todas as coisas. Aumenta-se proporcionalmente o desespero. A voz fala ao longe. Embala. Tudo longe. E nós medidos, nós oleados, nós eficientes, nós eficazes, nós bem certificados na arte de mal gerir, nós aos pedaços em maços de folhas destinadas ao nosso destino. Longe.
 
o-amor-e-a-vida-a-sonhar:

© Angelika Ejtel
© Angelika Ejtel

16/11/2015

Nem rosas




Não segures nada nas mãos
nem rosas
o desalento é uma mancha na carne rasgada.

Não suporto mais ler a verborreia que grassa, por todo o lado, sobre tudo, nada e mais um par de botas

Beethy Photography

14/11/2015

Um desconsolo na alma


Hymn for the fallen - Dead Can Dance

13/11/2015

Tudo o que tenho para dizer é música




Run boy run! This world is not made for you
Run boy run! They’re trying to catch you
Run boy run! Running is a victory
Run boy run! Beauty lays behind the hills

12/11/2015

Mar dentro

Carla Pinto Coelho


Descalçámos as pernas,
como fossem botas,
entrámos mar dentro
à força de braços.

Um é a soma de dois.

Precipitámos gotas de chuva
para fora de nós --
a Ilha dos Amores é já ali
a seguir à curvatura da Terra.

11/11/2015

Pensamentos erráticos

Complica-se a vida sem necessidade.

(virgulo ou não virgulo? )

Complica-se. Houvesse um pouco mais de método, de organização, de sensibilidade, e tudo seria mais fácil.

Morram os rodriguinhos, morram!
PUM!



Hoje procurei a tua morte e foi a coisa mais idiota que fiz.


E depois coisas boas acontecem.

10/11/2015

A prova que faltava para justificar o alucinamento deste espaço

Sanguíneo Melancólico

Sanguíneo Melancólico é uma pessoa altamente emocional, rindo num momento e chorando copiosamente noutro.  Sanguíneo Melancólico tem um grande potencial, mas necessita de se sentir seguro e admirado pelos outros, na realidade isto é o que impulsiona em grande parte as suas realizações.

Sanguíneo Melancólico sente a tristeza do outro

O sanguíneo melancólico sente genuinamente as tristezas das outras pessoas, sendo que para eles é muito difícil ouvir uma história triste ou um acontecimento difícil da vida de outra pessoa sem derramar lágrimas. Muitas vezes uma música melancólica pode fazê-los chorar profundamente.

Sanguíneo Melancólico é perfecionista

Pessoas com esta combinação de temperamentos são bastante perfecionistas, afastando-se das pessoas, isto porque verbalizam frequentemente críticas. Normalmente são voltados para as pessoas e contribuem de forma significativa para as vidas das mesmas, desde que não permitam que o seu ego as torne inconvenientes.

Sanguíneo melancólico é sonhador e inseguro

Pessoas com este tipo de temperamento  são sonhadoras, isto porque tanto o sanguíneo e o melancólico são sonhadores. E isto pode tornar-se uma grande fraqueza, na medida em que o se seu lado melancólico pensar de forma negativista, pode anular por completo o potencial desta combinação de temperamentos.  E a sua tendência é voltarem-se para si mesmos, sentindo-se inseguros e temerosos.

09/11/2015

08/11/2015

Dos dias que acordam cansados

 Embrace, 2001 ©Mona Kuhn/Courtesy of Edwynn Houk Gallery
 

06/11/2015

Rogo, Rogare, Rogavi, Rogatus




escreve-me com os teus dedos
histórias que não podem ser

03/11/2015

São quase dez horas da manhã

São quase dez horas da manhã. Lá fora o tempo parou numa claridade acinzentada. Cá dentro tudo parado numa escuridão de ignorância. Às vezes um murmúrio, lá fora como cá dentro, lembra-nos a todos que há mais vida para além do desconsolo destes dias.

01/11/2015

you're the lucky ones

artizan3:By Pavel Mirchuk
Pavel Mirchuk


And if you're still bleeding, you're the lucky ones.
'Cause most of our feelings, they are dead and they are gone.
We're setting fire to our insides for fun.
Collecting pictures from the flood that wrecked our home,

It was a flood that wrecked this...

Youth - Daughter