25/02/2015

A pedra nem sempre é fria

Gian Lorenzo Bernini - Plutão e Proserpina (detalhe)





Publicada originalmente no dia 20/03/2011 será uma das razões do aviso de indecência que recebi por parte do Blogger. Pornografia só se for aos olhos dos incultos.

24/02/2015

Tell me a story

Se tivesse visto este filme há dois ou três anos, estou certa que teria sido devastador para mim. A empatia com as personagens e o cerne da acção ter-me-iam deixado prostrada e avivado um sofrimento que pensava, então, não ter como diminuir.
O «se» não aconteceu e Cake foi visto com a distância de quem se revê mas sabe que a banalidade «o tempo cura tudo» é tão irritantemente verdadeira que o repetiu para si vez após vez, como se o dissesse àquelas pessoas na tela. 
Cake foi visto por um coração cauterizado e isso, parecendo que não, fez toda a diferença.


23/02/2015

As tangerinas não chegam para travar uma guerra

A delicadeza crua de um filme cuja banda sonora me fará companhia por muitos dias.







20/02/2015

Tenho andado a pensar muito em Dante

E já que o Inferno foi sobejamente explorado, e no Purgatório não acredito, que a jornada para o Paraíso comece. Depois de amanhã, está bem de ver. É provável que Beatriz me acompanhe, já Virgílio terá os seus dias. Pão para o caminho é tudo o que preciso. E água. Pura.

18/02/2015

O amor não acontece à tua porta

A rosa e o espinho - Donna Maria


Ela pinta, pobre rapariga

Sou uma pintora frustrada. Não sei desenhar e tudo o que me sai, pintado, é uma espécie de cruzamento entre o horror e a desgraça. Entre o que imagino e o que realizo vai uma distância como do Oriente ao Ocidente e o resultado deixa-me numa espécie, como direi, de irritação frustrada. Parece, no entanto, que há salvação para mim. Segundo o The Telegraph (trazido ao meu conhecimento pela Blogtailors), os livros para colorir estão em alta entre os adultos. Se não sei desenhar, pelo menos, posso pintalgar uns desenhinhos escolhidos ao meu gosto.


17/02/2015

Vacina contra o Carnaval

Ano: 2004
Local: Torres Vedras
Descrição: Ano de Europeu em terras lusas, ano de estágio em terras torreenses. Uma sexta-feira de muito frio a girar pelo centro da cidade, máscara coincidente com o espírito futebolístico. Uma turma de matrafonas e miúdas meio despidas à solta no meio da canalha. Seis dias de intenso Carnaval
Conclusão: Nunca mais!

fonte

16/02/2015

Careful the tale you tell





Sometimes people leave you
Halfway through the wood.
Do not let it grieve you,
No one leaves for good.
You are not alone.
No one is alone.



11/02/2015

O cinzento tem sombras. 50, diz ela.

Parece ser uma espécie de código começar um texto sobre o fenómeno literário e cinematográfico no título insinuado com um aviso de salvaguarda ao pundonor: eu não li o livro! -- ou a trilogia, vá (expressão de horror e mão no peito). Também não irei ao cinema ver o filme, mas convivo bem com o facto de, mais dia menos dia - particularmente num dia de grande marasmo, ter como certo que o verei.

Pois não li o livro, o que não invalida que opine com toda a propriedade, ainda para mais quando me passaram tantos livros de cordel pelas mãos e alguns com descrições que fizeram corar violentamente os meus virginais vinte anos e os não tão já virginais quarentas da minha mãe. Creio estar então em condições de avaliar a dita trilogia -- Guerra das Estrelas, tu põe-te a pau! -- sem ter feito mais do que lhe olhar para a capa, concluindo um fortíssimo Nah!, não me interessa.

Mas interessa-me tudo o que surge ao redor, como o artigo do Expresso, gentilmente disponibilizado em Cadernos da Libânia. Da mesma forma que me interessa a criatividade de quem vê e parodia, cheio de inteligência e graça. 

Senhoras e senhores, (os meninos e as meninas não podem ver isto, que é para maiores de 16), para vosso real prazer e deleite, As Cinquenta Sombras de Grey em Lego e as As Cinquenta Sombras de Pink! (e para gargalhar a sério, As Cinquenta Sombras de Ellen)






Silêncios torturados



Valdemar Cruz, "Silêncios Torturados- Uma Viagem aos Infernos Através das Memórias de Presos Políticos portugueses" in Atual 18 Janeiro 2014, Expresso (excerto)

10/02/2015

A desistência da memória

Tenho-me esquecido de tudo. Da rua onde vivias, dos pontos de referência que davam à rua onde vivias, o nome da estação de metro que apanhávamos, o nome do café onde esbardalhei o chocolate do croissant na compostura festiva da minha saia e onde te esbardalhaste a rir com a minha cara chocada. Esqueci-me de muitos dos assuntos das nossas conversas, de como fomos de umas às outras. Esqueci o teu número, o teu percurso académico, as minudências da nossa convivência.

Mas não esqueci o hotel ao fundo, visto da altura da varanda, e a rua sempre a rugir de trânsito, nem o peso da manta de lã, nem o cheiro do frango assado, nem o teu joelho dobrado servindo de apoio ao meu queixo, nem os teus olhos tristes, nem a última mensagem com a promessa que não cumpriste, nem aquele abraço que depois foi o último, nem o lugar gélido que escolheram para te encontrar pela última vez, nem o som dos meus passos no cimento triste da cidade fantasma onde te deixei.

Aconselha-se uma escolha sábia


«É melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher rixosa e irritadiça.»
Prov. 21, 19

09/02/2015

I've got an elastic heart

Elastic Heart - Sia



Toda a polémica em torno do vídeo é poeira e a acusação de pedofilia uma tolice. Acalmem-se, senhores, e dêem banho ao pensamento.


Universo feminino

Sei, pela proximidade do objecto, que o telefone não tocou, que não o estremeceu nem chamada nem mensagem. Sei. Ainda assim, vou tocando as teclas, como se o desejo chegasse para convocar palavras ausentes.

God shave the Queen!

As pessoas andam terrivelmente aborrecidas (não sei se há esperança para o tédio galopante), só assim se explicam as notícias idiotas e as modas ainda mais idiotas que assaltam a comunicação social todos os dias.

08/02/2015

Aquiles, meu Aquiles, devias ter escolhido a vida longa

Remexias no móvel dos CD à procura da tua música, aquela com uma letra que me deixou entre o abismada e o perplexa e sobre a qual esperavas que tecesse considerações. Ficaram muito além do que se requer de uma pessoa culta (pobrezinha de mim), embora tivesse esperado que o livro de poesia entre mãos me pudesse justificar a dificuldade em opinar.
Num acto impensado, até porque ainda não tinha aprendido que contigo não havia conversa circunstancial e tu tinhas uma panóplia de porquês capaz de fazer corar uma qualquer criança na idade da descoberta, deixei flutuar boca fora:

-- Gosto deste!
-- De qual?
-- Deste, dos macacos.
Pausa.
-- Lê.
-- Não leio nada.
-- Tens de ler, porque não me lembro qual é.
-- Ora, este dos macacos e da selva ser redonda. Como não sabes?
-- Lê!
Um pequeno momento de temor.
-- Então, mas...
-- Estou à espera.
Respirei fundo...

A selva é redonda

Os macacos comem bananas porque
era a fruta que tinham mais à mão.
Se tivessem mais à mão morangos, os
macacos comeriam na mesma bananas,
porque os morangos são muito difíceis de
descascar. As bananas são comidas por
macacos porque são os animais com mais
mãos que têm ali à mão. As bananas não
têm mãos mas têm casca, que é uma espécie
de mão à volta da banana. As bananas prefe-
riam ter mãos mas saiu-lhes antes casca.
Ser casca não deve ser fácil, passar a vida
a ser deitado fora. Os árbitros de futebol
têm duas mãos, uma para cada cartão.
Os macacos também arbitram as bananas,
comendo-as. Os macacos não mostram
os cartões às esposas. Preferem seduzi-las
usando a inteligência. Não sei como vim
parar à selva. Talvez tenha corrido demais
atrás da bola.


-- Hum... Lês bem.
Embaraço.
-- E porque é que gostas?
-- Porque me diverte.
-- Hum... pode ser.

Aprendi naquele momento a medir bem as minhas palavras. Aprendi de tal forma a lição que não fui capaz de entender coisa nenhuma e fiquei com um regaço de palavras que, por não as ter dito, vou escrevendo por aqui -- pequenos barcos a deriva entre mundos impossíveis.

06/02/2015

Gosto de flores e gosto de livros (e de curtas)

A Maior Flor do Mundo - José Saramago

05/02/2015

Por que sou uma alma velha

Youth knows no pain

Lykke Li

04/02/2015

Uma questão de (des)encontros

Ir de encontro é diferente de ir ao encontro

Deixem de uma vez por todas de ir contra as coisas e comecem antes a encontrar-se com elas. Ir de encontro a um homem lindo de morrer é diferente de ir ao encontro dele. Pode ser que o encontrão dê uma história de amor, o mais certo é resultar numa nódoa negra - para o caso, tanto faz.


O presidente do Costa do Sol teceu elogios à jovem treinadora e justificou a aposta argumentando que vai de encontro aos ideais do clube que passam por dar espaço a jovens desportistas.

03/02/2015

Aconselha-se uma escolha sábia



«O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor.»
Prov. 18, 22

02/02/2015

01/02/2015

Hold on

Hold On - Sean Riley & The Slowriders