06/05/2015

Há relações que não se podem deixar a meio

Sabemos por experiência comprovada que nem todas as relações que iniciamos chegam a bom porto. Não tem de ser mau ou lamentável, se pensarmos que muitas foram bastante questionáveis de pontos tão diversos que seria uma canseira elencá-los. Por isso, pode a desistência ser um bom fim a dar a grande parte dos vínculos. Não a todos, certamente.

Por volta dos seis anos, iniciei uma relação de muito amor e companheirismo com a minha corda de saltar. A intensidade era tal que a levava para todo o lado e conseguia fazer o percurso casa-escola primária, escola-primária-casa em saltitos certos e incansáveis. Tínhamos sido feitas uma para a outra e tínhamos tudo para dar certo.

Sucedeu-nos o que sucede todos, a certa altura, sem que saiba explicar bem como ou porquê, desinteressei-me dela e ela de mim. Creio que a culpa terá sido do elástico, que surgiu na minha vida lá pelos dez anos, mas não posso assegurar. O certo é que eu segui outras vias -- mais tarde veio a piscina, depois as intermináveis caminhadas, depois um ginásio ou outro, depois a falta de vontade até para mexer os olhos -- e a corda foi usada para outros fins (acho que acabou no tractor do meu pai).

Em Setembro do ano passado, porque precisava de me enfiar num vestido de cerimónia e ficar bem nas fotografias do  casamento do meu irmão do meio, de quem também fui madrinha, enchi-me de coragem, surripiei uma corda que acho que até tinha comprado muitos anos antes, fiz alongamentos e aquecimentos, que a idade não perdoa, e tentei com todas as minhas forças voltar à paixão incial.

Muitos saltos depois, muita falta de ar depois, muita transpiração e umas pernas um bocadito mais firmes depois, voltámos a olhar-nos com a mesma ternura de antigamente. Era desta que íamos viver o sonho americano!

Entretanto chegou o frio e a chuva e, adivinhem lá!, a coisa esfriou.

Mas esta semana! Ah, esta semana isto vai mudar!

esta sou eu, quinhentos anos a saltar à corda depois, em jejum perpétuo


p. s.: desejem-me carregadões de sorte e mandem-me uma botija de oxigénio, sff.

6 comentários:

  1. {corda} + {compota} = { }

    (sorry)

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  2. Eu faço-a, não quer dizer que a coma. (;
    Até porque as minhas compotas são «magras», levam fruta bem madura, pouco açúcar e nada de conservantes.

    O { } já não é de agora.

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  3. (estou só a ser desmancha-prazeres, ó) :))

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  4. E tu achas que na sei, pá! :D

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  5. Boa! Continua! Não deixes que o frio e a chuva te arrefeçam. Mostra-lhes que és mais forte :) Beijinho

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